Brasília, 24 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu hoje às críticas de que a saída de Andrea Calabi da presidência do Banco Nacional de Denvolvimento Econômico e Social (BNDES) signifique uma vitória do grupo liberal do governo, liderado pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, sobre o grupo dos desenvolvimentistas, tendo à frente o ministro da Saúde, José Serra. "O rumo quem dá sou eu, o rumo quem dá é o povo que me elegeu", avisou o presidente, depois de fortalecer a posição do ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias. Tápias exigiu a saída de Calabi por se sentir incomodado com a sua desenvoltura e por ele defender restrições a financiamentos do BNDES a empresas estrangeiras, nos processos de privatização.
Fernando Henrique fez questão de trazer à tona, no discurso que fez hoje no Planalto, a dicotomia entre nacionalismo e liberalismo. Ele defendeu que o País deve lutar pela "capacidade competitiva dos setores nacionais, mas manter os braços abertos aos investidores estrangeiros que venham se juntar neste rumo definido pelo País". De acordo com o presidente, "o governo, sob a guarda do ministro (Alcides) Tápias , vai continuar olhando para o fortalecimento do setor produtivo do Brasil".
As afirmações do presidente foram feitas durante solenidade de lançamento de programa na área de energia elétrica. Em seu discurso, fez questão de enfatizar que a defesa dos interesses nacionais não pode ser confundida como "ojeriza ao estrangeiro". "Nacional quer dizer definição clara dos interesses do povo e do País para que os estrangeiros, ao se juntarem nesse esforço, juntem-se aos nossos propósitos", disse
insistindo que o programa Avança Brasil é "um projeto nacional de desenvolvimento".
Neobobo - Segundo análises feitas até mesmo por tucanos, a substituição de Calabi por Francisco Gros, no BNDES - com o aval do ministro Malan e do presidente do Banco Central, Armínio Fraga - significa uma derrota para o grupo de Serra. Calabi era o último representante do grupo desenvolvimentista na equipe econômica do governo.
Além de enfatizar que é ele quem dá o rumo para seu governo, Fernando Henrique voltou a usar a expressão "neobobos" para classificar os que o acusam de neoliberal. O presidente assegurou que durante seu governo reformulou e fortaleceu o Estado, para fazer frente às demandas da sociedade contemporânea, e transformou o Estado brasileiro tornando-o ágil
competente e não mínimo e encolhido como acusam seus opositores.
"O Estado já está em franca marcha de reforma, o que não quer dizer que se encolha", desabafou o presidente. "Nem me venham com epítetos de neoliberal - já chamei de neobobos os que assim falavam e o são", prosseguiu ele lembrando que a redefinição das regras das agências estatais permitirão o controle dos serviços privatizados, em benefício do consumidor e do País.

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