Brasília, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a afirmar hoje que o País deve crescer no mínimo 4% em 2000 e que o Plano Plurianual de Investimentos (PPA) será o roteiro deste crescimento.
"O País necessita do vento da população favorável para podermos avançar na prosperidade", afirmou. O presidente disse que gostaria de acrescentar apenas duas palavras à lista de objetivos que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Lopes Tápias, anunciou durante o dicurso: urgência e convergência.
Segundo FHC, é preciso sentir "a angústia da urgência". Referindo-se ao discurso feito ontem (13) na feira da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), ele disse que
numa palavra sincera, havia pedido apenas uma coisa: urgência.
"Urgência para todos; para mim também; para o governo, para o Congresso, para a sociedade." Segundo FHC, é preciso ter esta urgência para enfrentar as questões do País com convergência.
O presidente enfatizou ainda que é preciso não deixar que prosperem, às vezes, más informações e interpretações precipitadas, que poderiam dificultar a clareza das ações na busca de um entendimento para tentar resolver as questões do País.
Em referência à fala de Tápias, FHC afirmou que os criadores, os homens com capacidade de transformar as coisas, normalmente, conseguem tornar o complexo em algo simples e com objetivos palpáveis.
Fernando Henrique também falou da idéia de criação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 1998, quando o Brasil estava enfrentando uma crise econômica.
Fernando Henrique disse que, naquela época, a crise foi injusta porque os fundamentos da economia brasileira não estavam "bamboleando", como algumas instituições fora do País faziam crer.
O presidente disse que o Ministério do Desenvolvimento foi criado para ser um articulador de um conjunto de tarefas que estão em marcha e garantir que os anseios da população sejam concretizados.
No discurso, o presidente fez também uma referência ao ex-ministro das Comunicações e vice-presidente nacional do PSDB para Assuntos de Política Econômica, Luiz Carlos Mendonça de Barros, para dizer que o sonho de ter o ministério não foi possível "pelos fatos que todos conhecem" e comentou que "as injustiças e maldades", a história às vezes prega naqueles que mais se empenham, também se referindo ao ex-ministro.
FHC disse que, quando necessário, é preciso ter a humildade de admitir os erros e reconhecer o uso indevido de determinadas palavras. "É preciso ter humildade, quando necessário, de dizer que errei; por que não? (Utilizei) uma palavra mal-posta."
Ontem, no Rio, o presidente criticou o ritmo de traballho do Congresso na tramitação das propostas de reformas. Mais tarde, telefonou para os presidentes do Congresso e da Câmara, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e deputado Michel Temer (PMDB-SP), dizendo que havia sido mal-interpretado.
Fernando Henrique disse também que deu para perceber, pelos aplausos que foram ouvidos quando Tápias se referiu às diretrizes da reforma tributária, que essa essa é "um anseio nacional, requer urgência e tem de ser simples".
Fernando Henrique disse estar percebendo que Temer e Magalhães concordam com a prioridade dada à reforma tributária e que o presidente da Câmara é "um entusiasmado" por ela.
"Vamos avançar na reforma tributária, de modo a simplificá-la", apelou Fernando Henrique. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, afirmou que Tápias enfatizou"o que toda a sociedade brasileira deseja: a implementação da reforma tributária".
Para Ferreira, o momento agora "é de colocar fim a conversas não-produtivas e buscar a convergência de todos os segmentos da sociedade para implementação da proposta de reforma tributária".
O presidente da CNI disse estar confiante em que o Congresso vai aprovar a proposta, ainda neste segundo semestre.

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