FHC reafirma permanência de Malan no governo
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Isabel Braga e César Felício 
Brasília, 11 (AE) - O governo liderou hoje um movimento político de apoio ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, que há uma semana vem sendo alvo de críticas dos próprios aliados. O presidente Fernando Henrique Cardoso assegurou a permanência do ministro no cargo, por meio do ministro da Casa Civil, Pedro Parente. O PMDB ofereceu um almoço de desagravo a Malan, com a presença de suas principais líderanças. Os líderes dos partidos aliados repetiram, durante o dia, gestos de apoio, embora continuassem pedindo mudanças na política econômica.
O PSDB, pivô do embaraço, por causa das repetidas e enfáticas críticas do vice-presidente do partido e ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, reuniu membros da executiva - incluindo Mendonça - terça-feira à noite, e decidiu dar uma trégua às críticas, se os demais partidos da base aliada fizerem o mesmo. O ministro permaneceu calado, sem comentar as críticas à política econômica e à sua gestão.
No almoço com o PMDB, segundo o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), Malan pediu ainda que o Congresso vote "o pouco que falta" para concluir o programa de ajuste fiscal acertado entre o governo e o Fundo Monetário Internacional (FMI). " Ele disse que a criação de um clima de apoio ao governo no Congresso teria impacto positivo no exterior", contou Temer. "Dissemos a ele que haverá esse apoio."
"Irrelevantes" - Logo após reunião da Câmara de Política Econômica, Pedro Parente convocou a imprensa para anunciar, em nome de Fernando Henrique, que Malan continuará no cargo, conduzindo a política econômica de "crescimento com responsabilidade". Ele qualificou de "irrelevantes" as opiniões de Mendonça de Barros sobre a condução da política econômica. Também disse que o governo não vê "razões para alguns sinais de pessimismo nos mercados financeiros" e afirmou que fatos e declarações devem ser vistos em sua "devida proporção". De acordo com Parente, o governo avalia "que está havendo um exagero com relação à interpretação das possíveis consequências dessas manifestações". Ele garantiu, no entanto, que o Palácio do Planalto vai continuar empenhado na realização das reformas econômicas.
As críticas à política econômica, feitas por Temer e pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e endossadas pelo governador paulista, Mário Covas (PSDB), foram consideradas declarações de aliados "normais numa democracia pluripartidária" e "parte do jogo político", mas estariam sendo "tomadas numa proporção muito acima da que seria razoável em relação à sua substância e às pessoas que emitem essas opiniões".
Parente citou dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Fundação Getúlio Vargas. Lembrou que a cesta básica reduziu de preço em julho e a taxa de desemprego em maio e junho de 1999 foi inferior à de 1998. "Tivemos geração de emprego dez vezes superior nesses dois meses, quando comparados com os dois meses de 1998: foram gerados 335 mil empregos no período." Parente acrescentou que nos sete primeiros meses deste ano o investimento direto estrangeiro foi superior a US$ 17 bilhões, financiando mais de 100% do déficit em conta corrente.
Ao citar Mendonça de Barros, o ministro fez questão de lembrar "que se trata de um entre cinco vice-presidentes do PSDB", um dos cinco partidos que apóiam o governo. "Mas não fala em nome de seu partido conforme me afiançou o senador Teotônio Vilela Filho (presidente nacional do partido)", disse. "Suas opiniões, em decorrência, são irrelevantes para a condução da política econômica do governo."
No encontro na residência de Temer, a cúpula do PMDB pediu a Malan que afrouxe o controle da política econômica e facilite o crédito para pequenos e microempresários. Na avaliação dos pemedebistas, o ministro demonstrou "sensibilidade" aos pedidos. "Eu não digo que ele vá mudar, mas ele está sensível"
afirmou Temer.
O presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), disse que foi sugerido a Malan que faça "tudo o que for possível" para manter a trajetória declinante da taxa de juros. Ele defendeu a permanência do ministro, argumentando que a política econômica é do presidente, embora deva sofrer revisão.
Em sua exposição a Temer, Jader e o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), Malan procurou demonstrar que já há sinais de recuperação econômica. "Ficamos muito impressionados quando ele disse que nos últimos três meses houve a criação de 300 mil postos de trabalho", afirmou o presidente da Câmara.
O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), e o líder do governo, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), também saíram em defesa de Malan, ressaltando sua importância na condução da política econômica do governo. "Não podemos negar que houve avanços durante a administração de Malan, mas só teremos vitória completa com o desenvolvimento", disse Aécio.


