Agência Folha
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem empenho ao ministro da Justiça, José Carlos Dias, no atendimento de qualquer pedido feito pelo governador de São Paulo, Mário Covas, para resolver a questão da Febem. Segundo o ministro, até ontem Covas não havia formulado nenhum pedido ao governo federal. A determinação de dar prioridade à questão do menor em São Paulo foi feita durante encontro de FHC com Dias, ontem pela manhã, no Palácio da Alvorada.
‘‘O presidente reiterou ao ministro que o governo federal examinará favoravelmente todo e qualquer pedido que vier a ser feito pelo governo de São Paulo na questão da Febem’’, afirmou o porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre.
Segundo Dias, o Ministério da Justiça não pode ajudar o governo de São Paulo sem que haja um pedido formal do governador Covas. ‘‘No que depender de nós, vamos ajudar’’, afirmou o ministro.
Dias afirmou ainda que o secretário de Estado de Direitos Humanos, José Gregori, está tratando diretamente do assunto. O ministro passará o feriado prolongado em São Paulo, mas não tem nenhum encontro programado com Covas. Gregori também passará o feriado em São Paulo.
Cinco menores conseguiram fugir ontem da Febem de Franco da Rocha, durante uma rebelião que terminou às 2 horas de ontem. Três internos foram recapturados. Por volta de 21 horas de anteontem, 58 menores que tinham sido transferidos da unidade Brás, na capital, começaram o motim. Armados de paus e pedras, ameaçaram fazer os monitores reféns e tentaram uma fuga em massa. A Tropa de Choque foi acionada e, em menos de uma hora, recapturou três dos fugitivos.
Segundo a assessoria de Imprensa do governador Mário Covas, os infratores que fizeram a rebelião eram da unidade Imigrantes e, no mês passado, foram mandados para o Brás. Na terça-feira, eles chegaram a Franco da Rocha, transferidos novamente. A troca teria causado indignação nos menores, que resolveram fugir já que a unidade não tem muros. Os menores fugiram pulando o alambrado. Ontem, 150 menores estavam na unidade.
O Ministério Público ingressou com várias ações judiciais, visando compelir ao Estado construir unidades que possam atender a esses adolescentes no tratamento adequado. Domingo, promotores devem visitar a Febem de Franco da Rocha.
Segundo o prefeito Roberto Seixas (PTB-SP), ‘‘o governo do Estado não está solucionando o problema da Febem e sim transferindo-o’’ para a cidade. ‘‘Nós da prefeitura, vereadores e população estamos saturados com essa situação’’, disse.
A transferência de menores do Complexo Imigrantes para o cadeião de Pinheiros provocou revolta entre as presas, ontem. Um grupo se rebelou e fez o carcereiro Josemildo dos Santos de Souza de refém da tarde de ontem. As presas se revoltaram porque foram obrigadas a ceder espaço para os menores, sendo transferidas para outra cadeia. O motim durou menos de meia hora.
Os familiares de Fábio Antônio de Castro – que confessou ter degolado com golpes de machadinha um menor durante rebelião na unidade Imigrantes – estão chocados com o acontecimento. O pedreiro Elias Marques de Albuquerque, pai do infrator, disse ontem que estava muito mal, com o corpo trêmulo, desde que soube da notícia. ‘‘Para mim foi uma surpresa. Fiz uma visita ao meu filho na Febem há três domingos e deixei para ir só este agora por causa da rebelião; nem sei se vou encontrá-lo no mesmo local.’’
Segundo o pedreiro, Fábio era um menino tranquilo, que fazia tudo o que lhe era solicitado, ‘‘mas depois que se meteu com a malandragem, há pouco mais de um ano, e se envolveu com drogas, ficou agressivo’’.

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