Brasília, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou do Congresso mais rapidez na votação do projeto que extingue a figura do juiz classista. A cobrança, feita no sábado a sete senadores que participaram de churrasco oferecido pelo ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), ocorre no momento em que o presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), abre uma guerra contra a Justiça Trabalhista. ACM propõe a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades e discutir mudanças no Judiciário.
O projeto que extingue os juízes classistas está em andamento no Senado e já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Mas terá de passar por mais um exame porque recebeu nova proposta da senadora Emília Fernandes (PDT-RS). "Vocês podiam ver isso, tentar um entendimento para acelerar a tramitação desse projeto", disse Fernando Henrique, segundo o senador Luiz Estevão (PMDB-DF), um dos convidados do churrasco.
O presidente do Congresso está disposto a estimular uma investigação profunda no Judiciário, apurando com rigor, inclusive, as denúncias de corrupção que envolvem aquele Poder. Mas tem ressaltado que a CPI servirá para promover um amplo debate sobre o Judiciário, o que poderia, na sua opinião, contribuir para desemperrar a discussão da reforma do Judiciário. "Esta é uma proposta construtiva", explica o senador ACM. Tanto esta reforma, como o projeto específico de extinção dos juízes classistas, estão tramitando no Congresso desde a primeira metade do mandato anterior de Fernando Henrique.
Crise - Além de Sarney e Estevão, estavam no churrasco os outros dois senadores pelo Amapá - Sebastião Rocha (PDT) e Gilvan Borges (PMDB) - e os três senadores maranhenses: Edison Lobão (PFL), Bello Parga (PFL) e João Alberto (PMDB). Bem humorado, Fernando Henrique fez muitas piadas e falou sobre economia, transmitindo aos políticos presentes sua impressão de que as maiores dificuldades da crise econômica brasileira foram superadas.
"Estamos vivendo os efeitos da crise, porque ela já passou, e o Brasil entra agora num processo de recuperação", repetiu, de acordo com parlamentares, em diferentes rodas de conversa. "A desvalorização do real era o único caminho", justificou-se. Segundo o senador Lobão, Fernando Henrique e Sarney também conversaram sobre "reminiscências políticas" do golpe militar e sobre a doença que matou Tancredo Neves e levou Sarney ao poder.
O presidente chegou ao churrasco, acompanhado da primeira-dama, Ruth Cardoso, por volta de 13h e só deixou o Pericumã, às 17h20. Além dos senadores, Sarney convidou todos deputados das bancadas do Maranhão e Amapá. O governador do DF, Joaquim Roriz também estava presente, assim como o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga e o secretário de Relações Institucionais, Eduardo Graeff. Filho de Sarney, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, chegou depois do presidente para o churrasco. "Estava na Bahia cuidando de uma questão ambiental"
justificou-se. O ministro aproveitou o encontro para conversar com dona Ruth sobre educação ambiental.

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