Brasília, 23 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso quer maior rapidez, "dentro do possível e nos limites da legalidade", nas investigações conduzidas pela comissão de sindicância do Banco Central (BC), que abriu processo administrativo para apurar se houve vazamento de informações antes da mudança do regime cambial e irregularidade nas operações de socorro aos Bancos Marka e FonteCindam, durante a desvalorização do real. "Se for comprovada, durante essas investigações, a necessidade de mudanças na estrutura interna e nos procedimentos do Banco Central, elas serão feitas", garante o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga.
Ele confirmou que a orientação é se antecipar às conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro, instalada pelo Senado, e adiantou que o governo não descarta a criação de novas regras para limitar o grau de alavancagem - a relação entre o patrimônio e as aplicações - das instituições financeiras."Não será preciso esperar conclusão da CPI para fazer aperfeiçoamentos, se a sindicância apurar que setores envolvidos em decisões econômicas agiram de forma incorreta ou se essas estruturas incorreram em alguma falha", avisou o ministro.
O governo espera da sindicância interna do BC respostas rápidas para as questões cruciais do caso dos Bancos Marka e FonteCindam, que deram fôlego à CPI do Sistema Financeiro. A orientação é esclarecer se houve ou não vazamento de informações; se a decisão de socorrer os bancos foi tomada com dolo (intencional) ou culpa (casual), e, se houve alguma irregularidade na venda dos dólares ao banqueiro Salvatore Cacciola, que comprou a moeda americana por preço abaixo dos do mercado.
De volta ao Brasil depois de uma semana na Europa, acompanhando Fernando Henrique em visita oficial a três países, Veiga procurou minimizar a preocupação do Palácio do Planalto com os rumos e desdobramentos das investigações do Senado.
Segundo ele, as CPIs - do Sistema Financeiro e do Judiciário - estão instaladas e vão funcionar normalmente. "O que o governo espera é que as investigações dos parlamentares ocorram dentro de um clima de justiça e equilíbrio", informou, referindo-se ao pensamento do presidente.
"O presidente está tranquilo com relação à CPI do Sistema Financeiro e quer que ela apure tudo com equilíbrio e justiça", frisou o ministro tucano. Ele insistiu que "o governo e o presidente Fernando Henrique respeitam" as CPIs do Senado. "Não há nenhuma intenção de abafar qualquer investigação", garantiu. "A expectativa é, efetivamente, que todas as suspeitas sejam investigadas e esclarecidas", acrescentou o ministro. "Culpados, se houver, serão punidos", prometeu.

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