FHC quer e menor recessão possível, diz porta-voz
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 05 (AE) - O porta-voz do Palácio do Planalto, embaixador Sérgio Amaral, admitiu hoje que o País vai enfrentar uma recessão nos próximos meses, e disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso quer de seus ministros um esforço grande para que essa recessão tenha o menor impacto possível sobre a economia brasileira. "O presidente quer que o governo faça um esforço grande para evitar a recessão, mas se ela for inevitável durante os próximos meses, que seja a menor possível", afirmou Amaral.
O porta-voz salientou que Fernando Henrique ainda não recebeu uma proposta abrangente da área econômica sobre como o governo obterá as novas metas de superávit estabelecidas junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo Amaral, a revisão do programa econômico, face à desvalorização cambial, ainda está em estudos.
"O presidente não recebeu uma apresentação mais detalhada sobre o que se pode fazer e nem possui uma previsão sobre o ritmo da atividade econômica", declarou Amaral, após acentuar que "o presidente nunca fez previsão de crescimento, não vai ser agora que vai fazer previsão de recessão".
O porta-voz disse que o presidente não vai apresentar proposta de ajuste para se alcançar a nova meta de superávit. "O presidente prefere que a área econômica submeta a proposta e ele faz a avaliação", observou Amaral, ao insistir que não há um prazo definido para o ministro da Fazenda, Pedro Malan, mostrar onde serão feitas as mudanças e nem como se chegará a este superávit.
Sobre os aumentos dos preços que estão sendo autorizados
como o dos combustíveis, que poderão provocar aumento da inflação, o porta-voz do Planalto reiterou que a diretriz do presidente para o setor público é de evitar, ou retardar ao máximo, qualquer repasse de aumento de custo, por força de desvalorização do câmbio.
Amaral explicou, no entanto, que no caso dos combustíveis o aumento não foi provocado pela alta do dólar, mas pela entrada em vigor de uma nova contribuição.
Em relação à autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para liberação das tarifas do setor, Amaral afirmou desconhecer essa permissão e insistiu que o governo vai dar o exemplo de impedir o repasse do aumento do dólar para os preços porque não quer a volta da inflação. "Se não forem tomadas medidas, há o risco de se trazer de volta o processo inflacionário", comentou.


