Buenos Aires, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, na capital argentina, esperar que a questão do regime automotivo seja definida na próxima semana. Sobre o que muda na relação entre os dois países com a posse do novo presidente argentino, Fernando de la Rúa, FHC declarou: "Ficou claro para mim que a intenção de De la Rúa é a mesma que já tinha o presidente Menem, ou seja, manter as melhores relações com o Brasil."
"É claro que existem problemas comerciais, de choques setoriais, mas a concepção do presidente De la Rúa corresponde à minha: Mercosul não é só isso, é muito mais. É um empreendimento político. É a região. Enquanto estiver unida (a região) como está, terá mais chance nesse mundo globalizado", enfatizou.
Fernando Henrique defendeu a união dos países do Mercosul, lembrando que dessa forma esses países terão mais chances num mundo globalizado. Ele disse que conversou com o presidente De la Rúa sobre esse assunto e a disposição dele (De la Rúa) é de cooperação: "Ele acha e eu também que o Mercosul não se esgota nas questões comerciais. É um processo político de integração", afirmou FHC. "Temos valores e interesses comuns, sobretudo nesse mundo globalizado. Precisamos nos unir mais para que possamos nos defender do que acontece no mundo todo", afirmou Fernando Henrique. Segundo ele, essa visão é muito clara para o presidente De la Rúa, e isso vai contribuir para ajudar todos os países.
O presidente Fernando Henrique Cardoso elogiou o discurso de posse de seu colega argentino, Fernando de la Rúa, que considerou prioritário, em seu governo, o combate ao déficit público. "Ajuste econômico, moralidade pública e crescimento econômico: isso é o que tem de ser feito e eu penso igual a ele", declarou o presidente brasileiro, ao comentar as palavras de seu colega argentino. "Quem quiser realmente ajudar o povo do seu país, como é o meu caso, no Brasil, tem de fazer o ajuste fiscal para poder combater o déficit, para poder permitir que haja crescimento e para evitar a inflação", acrescentou o presidente, que voltou a defender, este ano, um crescimento de, no mínimo, 4%.
Para Fernando Henrique, De la Rúa está certo em defender tais princípios, mas ressalvou que o ex-presidente Carlos Menem, que deixou o governo hoje, também combatia o déficit público. "Quem não entender isso, está fora da realidade", observou, justificando que os argentinos vão ter de fazer agora, o que os brasileiros já fizeram.
"O Brasil já avançou muito, este ano, no ajuste econômico", comemorou o presidente, acrescentando que De la Rúa foi explícito e disse que vai fazer o ajuste.
"Ele está certo porque, se não houver uma finança equilibrada, o povo sofre, porque vem a inflação e come o salário", prosseguiu Fernando Henrique, ao lembrar que conversou sobre esse assunto também com os presidentes Eduardo Frei, do Chile, e Júlio Sanguinetti, do Uruguai. Na opinião de Fernando Henrique, "a situação vai marchar para melhor, já que o ano que vem começa com prognósticos auspiciosos".

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