Brasília, 13 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje uma "cruzada de todo mundo" em prol do meio ambiente. O pedido foi feito em discurso durante solenidade de comemoração do Dia da Criança, no Palácio da Alvorada, onde o presidente recebeu a Carta de Princípios de Proteção à Vida, elaborada por um grupo de 135 alunos de todos os Estados brasileiros. Fernando Henrique solicitou ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, atenção especial para o destino a ser dado às baterias dos telefones celulares, "que crescem aos milhões no Brasil" e representam um grande risco para a natureza.
Fernando Henrique alertou para a necessidade de de educar e informar o povo sobre o meio ambiente. "Se não tiver educação, não adianta lei, código, multa e proibição porque tudo isso será insuficiente", afirmou o presidente, lembrando ser preciso pensar também nas pessoas e nas condições em que elas vivem. Com o esforço dos órgãos governamentais, segundo o presidente, foi possível, por exemplo, reduzir as queimadas que, este ano, não ultrapassaram o arco da floresta amazônica, restringindo-se às regiões do cerrado e pantanal.
O presidente também falou do problema do lixo, que tem se espalhado na Amazônia, o que surpreendeu sua mulher, Ruth Cardoso, e seus netos, durante visita ao Amazonas e ao Pico da Neblina. "Antes as populações autóctones não recebiam embalagens de plástico, era tudo biodegradável", observou o presidente ao salientar que agora eles recebem fitas cassete, garrafas plásticas e daqui a pouco vão chegar até telefones celulares.
Carta - A carta com os princípios de proteção à vida foi entregue pela aluna baiana Diana Santana, representante dos estudantes de escolas públicas de todo o Brasil. A carta é a conclusão de um trabalho que começou a ser discutido pelos alunos da 5ª à 8ª séries em seus Estados, há meses. Desde sábado os 135 estudantes selecionados estão em Brasília, discutindo temas relacionados à natureza e concluíram a carta, com 15 princípios, entregue hoje ao presidente Fernando Henrique, no Palácio da Alvorada. Fernando Henrique elogiou a carta e disse que ela é uma demonstração de que as crianças hoje tem consciência e são cidadãs.

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