Brasília, 30 (AE) - Na reunião que terá hoje à noite com os presidentes do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Mário Velloso, do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), o presidente Fernando Henrique Cardoso pretende ter "uma conversa para propiciar um bom clima entre os poderes", informou há pouco o porta-voz da Presidência da República, Georges Lamazire.
Ele adiantou também que, na reunião, marcada para as 22 horas
no Palácio da Alvorada, o presidente fará aos presidentes dos demais poderes um relato sobre a reunião de cúpula que reuniu 48 chefes de Estado e de Governo da América Latina, do Caribe e da União Européia, encerrada hoje no Rio de Janeiro.
Sobre a reforma ministerial, Lamaziére disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso "fará mudanças sempre que o achar oportuno e conveniente, mas não há nada para anunciar neste momento". Quanto à ameaça do vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso (PMDB) que, contrariado com as mudanças na direção do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), ameaçou revelar um dossiê sobre a votação da proposta de emenda constitucional da reeleição, o porta-voz disse que o presidente espera a aprovação, pela Assembléia Legislativa de Minas, de requerimento para que Newton Cardoso deponha a respeito. Ainda segundo o porta-voz, o presidente pediu ao diretor-geral do Departamento de Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, que acompanhe o depoimento. O porta-voz negou loteamento de cargos no DNER. Segundo ele, é natural que certos cargos sejam ocupados por pessoas ligadas a pessoas do governo, e é o que ocorre no departamento.
O porta-voz da Presidência da República disse ainda que o presidente Fernando Henrique Cardoso nunca recebeu pedido, seja do ex-prefeito Paulo Maluf, seja do atual prefeito de São Paulo, Celso Pitta, para interferir no caso dos precatórios emitidos pela prefeitura paulistana a pretexto de pagamento de precatórios. Segundo Lamazire, o presidente nunca tratou deste assunto, e eventuais ilações feitas a esse respeito "só podem ser explicadadas pela desinformação ou má-fé".

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