Brasília, 15 (AE) - Depois de criar a Secretaria Nacional Antidrogas, o presidente Fernando Henrique Cardoso quer uma ação mais coordenada do governo no combate ao crime organizado. "O problema já é sério o suficiente para que o governo atue", afirmou o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, que participou de uma reunião de cerca de duas horas no Palácio do Planalto. "Tudo que puder ser feito em articulação com os Estados será feito", assegurou. Parente acrescentou que o governo não "busca impacto" com as medidas, mas encontrar soluções para um problema que aflige toda a população, "fazendo não apenas o que é possível, mas avançando um pouco no campo do impossível".
Nesta quinta-feira, como resultado de outra reunião envolvendo problemas de segurança pública, realizada há duas semanas, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, entrega ao presidente um pacote de medidas concretas no combate à violência urbana. A partir dessas reuniões o presidente quer mostrar à sociedade que o governo está sintonizado com uma das maiores preocupações dos brasileiros: a falta de segurança.
Para sinalizar o esforço do governo na busca de soluções para o problema, Fernando Henrique criou um grupo de segurança, formado por seis ministros para discutir, sistematicamente, esta questão. Além do ministros da Justiça e da Casa Civil, integram o grupo os ministros do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, da Secretaria-Geral, Aloysio Nunes Ferreira, da Defesa, Geraldo Quintão, da Secretaria de Comunicação Social, Andrea Matarazzo, além de assessores pessoais do presidente, como o ex-governador Moreira Franco.
Participaram também da reunião de hoje o ministro da Fazenda, Pedro Malan, o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, e o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, o diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, e a chefe da Coordenação da Lavagem de Dinheiro, Adriene Sena. Isso indica que o presidente quer que seja incrementada não só a ação policial, mas também que se cruzem todas as informações possíveis de forma que o narcotraficante seja pego também pela movimentação bancária.
Auxiliares de Fernando Henrique sempre lembram que o mafioso italiano Al Capone não foi pego pelos crimes violentos que a organização que comandava cometeu, mas pela sonegação de impostos. Forças Armadas - A presença de Quintão no encontro não significa que as Forças Armadas vão atuar no combate ao crime organizado ou na fiscalização de fronteiras, tarefas da Polícia e Receita Federal. Os militares continuam apenas com a missão de dar apoio logístico aos responsáveis pelo combate ao narcotráfico.
Segundo Pedro Parente, no encontro de hoje o presidente "basicamente escutou" as propostas dos diversos ministros. Dentro de duas a três semanas, uma nova rodada de discussões será realizada, com a apresentação de um programa de ações específicas na área de crime organizado e fronteiras. Parente acrescentou que o presidente incumbiu a Casa Civil, o Gabinete de Segurança Institucional e a Secretaria-Geral de apresentar o relatório com o conjunto de ações neste setor.

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