Brasília, 26 (AE) - A reunião de hoje entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e os 26 governadores - apenas Itamar Franco (MG) não compareceu - representou a reabertura do diálogo entre as partes. O presidente não admitiu mudar a essência dos contratos da dívida, como era o pleito da oposição expresso na Carta de Porto Alegre, mas cedeu ao acenar com mudanças que vão aliviar a situação financeira dos Estados.
Depois de reconhecer a situação crítica dos Estados e ouvir cada governador, o presidente manteve uma conversa paralela com os governadores do PT, quando combinou com Olívio Dutra (RS) uma conversa na próxima terça-feira (02), na presença do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para tratar da questão específica do Estado. "O senhor não pode estender essa decisão a Minas?", apelaram os governadores do PT. "Se o governador Itamar quiser vir à reunião com Olívio Dutra, estaremos à sua espera", respondeu Fernando Henrique, segundo relato do governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT.
"Saio da reunião com a certeza de que não perdi tempo", afirmou o governador gaúcho, ao avaliar que as medidas acenadas pelo governo para alivar a situação dos Estados é um bom começo para uma nova relação entre governo federal e estaduais. "Para nós isso é pouco, mas nas circunstâncias de uma primeira reunião
já é signitificativo", continuou Olívio Dutra, que desde o início da crise com os Estados posicionou-se ao lado de Itamar Franco. Com Olívio Dutra, Fernando Henrique comprometeu-se a pôr um fim às sanções contra o Rio Grande do Sul e sinalizou para estender a medida a Minas, se Itamar colaborar.
Em nome dos colegas da oposição, o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), admitiu discutir a questão da dívida dos Estados num segundo momento, depois que o governo federal fechar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Se há um problema para o País, se o FMI é uma questão importante, a oposição tem clareza e maturidade para compreender isso", disse ele. O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), não admitiu que o presidente tenha rejeitado discutir a renegociação da dívida. "O governo sinalizou para uma negociação quando admitiu rever o cálculo da receita líquida", sugeriu Garotinho.
Também para ele, o encontro foi "além das expectativas." Segundo o governador Lessa, dependerá de Itamar Franco a reabertura de diálogo com Fernando Henrique Cardoso.

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