FHC promete agir contra as drogas
Dida Sampaio/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Doença socialFernando Henrique diz na ONU que prioridade da nova secretaria será o trabalho nas escolas: O assédio a jovens entre 11 e 18 anos preocupaFHC promete agir contra as drogas
Presidente anuncia em Nova York a Secretaria Nacional Antidroga, a última novidade brasileira no combate ao narcotráfico
Edson Luiz
Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, durante a 20ª Assembléia-Geral das Nações Unidas, em Nova York que o governo vai dar prioridade aos dependentes de droga, considerados por ele, a maior doença social de nosso tempo e à prevenção ao uso de drogas. Limitar a ação do Estado a um aumento da repressão provou-se insuficiente, afirmou Fernando Henrique. O presidente também disse que o governo não vai tolerar as atividades do narcotráfico. Fernando Henrique Cardoso apresentou na ONU a nova Secretaria Nacional Antidroga, que será criada oficialmente em dez dias por uma Medida Provisória, como a última novidade brasileira no combate ao narcotráfico.
O discurso de Fernando Henrique foi feito uma hora depois de o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, elogiar a política brasileira de prevenção às drogas. Tenho conhecimento de que vários países têm programas semelhantes, como México, Venezuela e Brasil, afirmou Clinton. Tive o prazer de falar sobre isso com o presidente do Brasil, acrescentou o presidente norte-americano, referindo-se ao encontro dos dois, domingo, em Camp David, residência de verão de Clinton.
A reunião da ONU, aberta por Clinton, foi criticada em anúncio de duas páginas do New York Times, por intelectuais e outras personalidades de várias partes do mundo, incluindo o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, os professores da Universidade de São Paulo Fábio Mesquita e Cássia Maria Buchalla, e o bispo de São Félix (MT), Pedro Casaldáliga. Propostas realistas para reduzir o crime, associado às drogas, às doenças e a morte são abandonadas em favor de propostas retóricas com intenção de criar sociedades livres das drogas, dizia o anúncio.
O presidente Fernando Henrique disse desconhecer a crítica assinada por Lula e outras personalidades. Não sabia que o Lula tinha interesse nesse assunto, afirmou Fernando Henrique. Sobre o jantar em Camp David com Clinton, no domingo, disse: Falamos sobre droga, paz, terrorismo e outros temas.
Segundo o presidente, a secretaria nacional antidroga vai atuar com outros países no controle ao tráfico e na prevenção ao uso de drogas. Ela vai definir a política nacional em matéria de drogas e coordenar todas as ações governamentais de prevenção, repressão e recuperação, explicou.
A secretaria vai trabalhar inicialmente com recursos da Casa Civil da Presidência da República e poderá ser dirigida por alguém com acesso fácil à comunidade internacional e conhecedor de planejamento contra o narcotráfico. Não pensamos ainda em nenhum nome, disse o presidente.
O primeiro trabalho da secretaria deverá ser a realização de campanhas especiais para atingir as escolas, onde ficou constatado o crescimento no uso de drogas. O assédio a jovens entre 11 e 18 anos preocupa o governo, confirma o chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso. Essa faixa etária será nossa prioridade, acrescentou. Anualmente, o governo investe apenas R$ 4,5 milhões em prevenção e as campanhas são feitas pelo Conselho Federal de Entorpecentes (Confen). Com a criação da secretaria, o Confen deixará de ser o orgão central de coordenação da política antidroga para ter apenas função consultiva.





