Brasília, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje à AGÒNCIA ESTADO que os próximos dois meses - abril e maio - ainda serão "muito difíceis", porque coincidirão com o período de agravamento da recessão e do desemprego. O presidente trabalha com a expectativa de, a partir do segundo semestre, o governo criar condições para a retomada do desenvolvimento econômico a partir do próximo ano.
As condições para a retomada do crescimento sustentado da economia, na sua avaliação, partem de premissas básicas: o setor produtivo está estruturado no País e o governo não hesitará na política de controle da inflação. "Eu não vou tolerar uma política que não seja contra a inflação", disse. "A minha obrigação é segurar a inflação e baixar os juros."
Na entrevista, o presidente foi objetivo na defesa da retomada do desenvolvimento econômico, quando afirmou que "conseguindo baixar a inflação e reduzindo as taxas de juros partirá de uma base produtiva que responderá à retomada" do crescimento.
"Não vejo os horizontes toldados", disse Fernando Henrique pondo a retomada do fluxo de capitais para financiamento do comércio exterior e o cumprimento do programa fiscal como premissas importantes à retomada do desenvolvimento.
A retomada do fluxo de capitais para o financiamento do comércio exterior é, segundo o presidente, um dos principais pontos da conversa do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do BC, Armínio Fraga, na ofensiva que estão fazendo nos Estados Unidos e Europa.
O presidente disse que conversou hoje com Malan, que fez um relato das conversas mantidas com banqueiros em Frankfurt, a primeira etapa da viagem à Europa. "O que Malan está dizendo aos investidores é que o País não quer ser impositivo na retomada do fluxo de capitais para o financiamento do comércio, mas não há razão para não ter financiamento externo", disse Fernando Henrique. "O País está em ordem."
Segundo ele, a "batalha financeira imediata" é a restauração da credibilidade do País, o que é possível também depois da negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "O sinal que podemos dar é que temos rumo", disse o presidente.
Indexação - A retomada do crescimento da economia a partir do segundo semestre, como afirmou o presidente, tem também como ponto de partida a decisão do governo de não tolerar iniciativas de reindexação da economia.
Ele lembrou que a questão suscitada no momento é que a pressão inflacionária provocada pela desvalorização cambial tem um efeito "once for all", o impacto ocorre no momento da desvalorização e não se propaga.
Outros questionam se o impacto será contínuo, mas a posição de governo é que isso só ocorrerá com a reindexação da economia, o que está fora de cogitação, segundo Fernando Henrique.

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