FHC pode renovar acordo que reduziu impostos para veículos
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Cleide Silva e Liliana Pinheiro 
São Paulo, 27 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso está disposto a discutir a renovação do acordo que reduziu os impostos e, consequentemente, os preços dos carros, mas antes quer analisar os resultados obtidos em março e abril, período em que os automóveis ficaram em média de 8% a 12% mais baratos.
O acordo vence no dia 4 e a intenção dos fabricantes, trabalhadores e revendedores é de prorrogá-lo por mais dois meses. A decisão das montadoras de reajustar os preços a partir da próxima semana, em decorrência da defasagem cambial, entretanto, pode atrapalhar as negociações.
As indústrias falam em aumento de custos de 7% a 15%, mas já sinalizam com a possibilidade de discutir índices menores. Amanhã haverá uma reunião no Ministério do Desenvolvimento, às 9 horas, para discutir o acordo. Hoje, após conversa por telefone com Fernando Henrique, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse que ele confirmou sua intenção de renovar o acordo. "O que o presidente não vai aceitar é continuar com a redução de impostos se a indústria insistir em aumentar preços", afirmou Paulinho.
Sobre a queda de arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), alegada pelo secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, o presidente afirmou não ter feito o acordo pensando na arrecadação, mas na garantia de empregos. A declaração foi feita na segunda-feira à noite, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura. Com o acordo, os envolvidos na cadeia automobilística deram garantia de emprego de 90 dias a cerca de 500 mil trabalhadores.
Faltam carros - Em meio às discussões de manutenção de impostos menores e de novos reajustes (os preços dos carros subiram três vezes neste ano), já há falta de produtos no mercado. Na linha Chevrolet não há modelos Astra, Vectra e Corsa Wagon GLS. Na Ford, acabaram em várias lojas as versões do Ka Image que custam entre R$ 13,2 mil e R$ 14,7 mil.
Vários concessionários Fiat reclamam da falta de Palio ELX, EX 4 portas e Weekend Stile. A montadora confirmou que teve problemas com esses produtos, mas garantiu que normalizaria as entregas ainda esta semana. Já na rede Volkswagen é geral a falta de várias versões do Gol, Parati e Saveiro, principalmente com ar condicionado. A Volks reduziu a produção desses modelos porque em junho deve lançar uma nova linha.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Hugo Maia, prevê para este mês vendas de 130 mil a 140 mil veículos no varejo, ante as 121,7 mil de março, que já havia representado um crescimento de 122% em relação ao mês anterior.
Maia e os concessionários são unânimes em afirmar que, qualquer reajuste de preços neste momento resultará em uma paralisação completa das vendas. Caso o acordo não seja renovado e as montadoras confirmem reajustes, os preços dos carros devem subir mais de 20%.


