FHC pede tributo para apressar reforma
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quarta-feira, 09 de abril de 1997
Agência Folha, 
de Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso propôs ontem um aumento de impostos ou a criação de um novo tributo para acelerar a reforma agrária. Ele disse que a sociedade precisa decidir se a questão dos sem-terra e dos assentamentos rurais deve ser tratada de forma especial.
A sociedade quer? Eu quero. (...) A sociedade tem de saber (...) e tem de decidir, porque é hipócrita, ou é desinformação, ou é injusto dizer: o governo não está fazendo e tem de fazer mais, disse o presidente. FHC afirmou que o governo não tem mais recursos para aumentar a velocidade dos assentamentos, previstos para 80 mil famílias este ano. Ele fez a proposta durante abertura do Seminário de Reforma Agrária, Desenvolvimento e Cidadania, promovido pelo governo. Segundo cálculos de FHC, para se assentar corretamente um milhão de sem-terra - número defendido pelos trabalhadores rurais - devem ser gastos R$ 40 bilhões, o equivalente ao gasto da Previdência por um ano para atender 16 milhões de aposentados e pensionistas.
FHC lançou uma série de perguntas, que ele disse querer ver respondidas ao final do encontro, que dura três dias. A sociedade quer (subsidiar assentamentos)? A sociedade pode? Nós temos recursos? É essa a solução? O Brasil acredita que, no futuro, será melhor termos 4,5 milhões de famílias assentadas?, questionou.
A idéia de nova taxação foi referendada pelo ministro Raul Jungmann (Política Fundiária). Se a sociedade cobra mais, e esse é um governo democrático, cabe ao governo apresentar à sociedade e ao Congresso maneiras de harmonizar o que deseja a sociedade e o governo também, afirmou. Isso poderá passar por novos impostos, completou. Ao lado do aumento de fontes de arrecadação, o presidente cobrou maior participação dos movimentos sociais (igreja, sindicatos e partidos, entre outros), dos municípios e Estados na busca de um novo modelo para a questão agrária.
Ou será que, no caso da reforma agrária, nós vamos continuar pensando que estamos vivendo numa economia centralmente planificada, em que a vontade poderosa de Brasília impõe-se sobre uma realidade multiforme e dispersa, como é a realidade brasileira?, questionou, novamente, FHC.
O presidente afirmou que, doa a quem doer, o cumprimento às leis será o limite para os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), bem como para os demais movimentos sociais. Nós temos democracia e o limite é a lei. E a lei, doa a quem doer, será cumprida! Doa a quem doer! Isso é fundamental!, disse. E, aproveitando a presença do ministro Sepúlveda Pertence, presidente do Supremo Tribunal Federal, FHC afirmou que não se acanha em cumprir as leis.
O presidente da República não tem nenhum acanhamento. Ao contrário, se orgulha em dizer isso diante do presidente do Supremo. Decidido pelo Supremo, está decidido para mim, afirmou.
Ao mesmo tempo, o presidente deu a receita de como se pode, no entanto, adaptar a lei à sua vontade. Às questões têm que ser assim: decididas na Justiça, recorre-se até a instância possível. Muda-se a lei, via Congresso. Luta-se, como eu luto, para mudar a lei. Mas a lei tem que ser respeitada, completou.


