FHC pede entendimento entre aliados
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Tânia Monteiro e Isabel Braga 
Brasília, 17 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso pregou hoje o entendimento entre os aliados durante discurso na solenidade de lançamento da Semana Nacional Antidrogas. "Governar hoje não é mais apenas assinar decretos, muito menos, gritar, e muito menos ter atitudes bizarras", declarou. "Governar é motivar, é fazer com que as pessoas se entendam na direção desejada, na direção almejada." Segundo o presidente, o processo de governar implica em uma articulação com o conjunto da sociedade. "Governar deixa de ser um atributo só do Estado, do governo, do presidente, para ser um processo que se insere no conjunto da sociedade e aceito como uma coisa válida e legítima. Ou então se perde, às vezes, até em um bate-boca entre um setor e outro da própria vida política e se esgota nesse ato."
Pela manhã, Fernando Henrique recebeu no Palácio da Alvorada o governador do Rio de Janeiro, Anthony Gartinho (PDT), e os prefeitos do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL) e de Caxias, José Camilo Zito (PSDB). Neste encontro, mais um apelo e um recado pelo fim das disputas políticas entre a base aliada. Os três, embora de partidos diferentes, foram juntos ao presidente pedir apoio para projetos de interesse do Estado do Rio. "O Brasil precisa de entendimento e isso é muito bom para a democracia", afirmou o presidente, segundo Garotinho. "Que isso sirva de exemplo para muita gente", teria acrescentado, conforme relato do governador.
Na cerimônia no Planalto, o secretário Nacional Antidrogas, Wálter Maierovitch, adotou um tom conciliador: "O que é necessário é a secretaria ser entendida como órgão coordenador. Qualquer pessoa que vá dirigir a Polícia Federal tem de entender que a Senad não é uma concorrente, mas só uma aglutinadora." Maierovitch acrescentou que a Secretaria está no nível acima, exatamente para coordenar as ações e estabelecer a sinergia necessária e citou exemplo as ações coordenadas com os ministérios da Educação e da Cultura. "Isso precisa ocorrer também na área da repressão", disse o secretário que esclareceu ainda que, como secretário, um agente da autoridade do presidente, cumpre o determinado pelo presidente da República.
A solenidade serviu para Fernando Henrique dar mais uma demonstração de prestígio ao general Alberto Cardoso que vem sendo atacado pelo ministro da Justiça, Renan Calheiros, e pelo ex-diretor da PF, Vicente Chelloti. Fernando Henrique devolveu o status de ministro ao general e na cerimônia fez questão de elogiar "a disposição e o denodo" de Cardoso.


