FHC pede desculpas a Villas Boas por forma de demissão
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por Edson Luiz 
Brasília, 01 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou hoje para Orlando Villas Boas pedindo desculpas pela maneira como o sertanista foi demitido da Fundação Nacional do Índio (Funai). Villas Boas, exonerado do cargo de assessor especial da presidencia da Funai por meio de um fax pelo presidente da Funai, Frederico Marés, recebeu dois convites para permanecer no governo.
O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça não haviam calculado a repercussão negativa da exoneração de Villas Boas. Durante o dia hoje o sertanista, de 86 anos - 48 deles dedicado à causa indígena -, recebeu diversos telefonemas de apoio. Entre eles, o do próprio presidente da República e os dos ministros da Justiça, José Carlos Dias; da Comunicação, Andrea Matarazzo; e do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann. O porta-voz do Palácio do Planalto, Georges Lamazire, confirmou o telefonema de Fernando Henrique, assegurando que o presidente lamentou o mal-entendido causado pela demissão.
"O presidente Fernando Henrique Cardoso foi muito simpático e se desculpou pela forma da minha demissão", disse Villas Boas. "Ele me pediu para não ficar magoado e disse que não estava de acordo com a exoneração." Villas Boas foi condecorado pelo presidente no dia 7 de setembro do ano passado.
Convites - O sertanista recebeu três convites para continuar no governo. O primeiro, para integrar um conselho indigenista, que será criado dentro da Funai, a outra proposta de trabalho de Villas Boas é na reforma agrária, auxiliando as comunidades indígenas, e a terceira é da Secretaria de Comunicação. "O ministro Jungmann me chamou para ajudá-lo a trabalhar com os grupos indígenas, organizando-os de forma que possam produzir sem ter de agredir sua cultura", contou o sertanista. "É uma proposta interessante."
Diante dos efeitos negativos da exoneração do sertanista, o governo tentou hoje, em uma nota oficial, explicar os motivos que levaram o presidente da Funai a demitir o sertanista da instituição que ele fundou, em 1965. Marés não deu entrevista e o comunicado foi feito pelo Ministério da Justiça, que alegou ser a medida uma forma de corrigir uma irregularidade
trocando o cargo em comissão pela pensão vitalícia.
Nota - "Há incompatibilidade no recebimento da pensão vitalícia benemérita com o exercício do cargo público", informa a nota. "Sendo assim, não há nenhum desrespeito por parte do Estado brasileiro e da Funai ao trabalho do indigenista, nem mesmo na forma como foi encaminhada a decisão." Segundo o Ministério da Justiça, Villas Boas seria informado por carta de sua demissão. Entretanto, o presidente da Funai foi mais adiante
enviando-lhe um fax em que pedia o cargo, de R$ 1.300. O fax foi enviado quase no fim da noite do dia 25, mas a carta até hoje não havia chegado às mãos do sertanista.


