FHC pede cruzada contra a impunidade
Brasília, 09 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje, após encontro com os integrantes da CPI do Narcotráfico, uma "cruzada" contra a impunidade no Brasil. Em pronunciamento após a audiência, Fernando Henrique disse que "não há brasileiro ou brasileira" que não tenha "preocupação e medo" pela falta de segurança e que não sinta "revolta" em razão da dificuldade de se colocar na cadeia os responsáveis por atos ilícitos ou pela violência, principalmente no caso do narcotráfico.
Segundo ele, a CPI constatou que "há um enraizamento" do narcotráfico, que "alcança setores políticos, governamentais e do crime organizado". "Por sorte, o que se viu até agora, e espero que continue assim, são setores limitados e que não têm atingido as altas esferas nem do poder federal, do Executivo, nem do Legislativo, nem do Judiciário." Fernando Henrique classificou a questão como "preocupante" durante a reunião de mais de uma hora com os parlamentares da CPI e que não pode ser resolvida unilateralmente, precisa da ação de toda a sociedade. "A violência está quase sempre ligada à droga e a droga ao narcotráfico e isso vai num crescendo que o País não suporta mais."
O presidente assegurou que o novo núcleo de combate à impunidade vai auxiliar no trabalho já desenvolvido pela Polícia Federal e pela CPI, mas não se sobrepor a seu trabalho.
Para o presidente, essa "ação enérgica" contra a impunidade é necessária para que a sociedade não assista no Brasil o crescimento "de ondas de violência", "incompatíveis com um país que se quer democrático e que quer dar melhor condição de vida e de segurança à sua população".
Fernando Henrique sugeriu o debate sobre a criação de um juizado de instrução. Segundo ele, o juizado garantiria o acompanhamento, desde o início do processo, por um procurador, um representante do Ministério Público, das polícias, e em conjunto com um juiz, "para que se possa ter a certeza de que o processo não será anulado amanhã por alguma falha técnica".
BANCO CENTRAL - Fernando Henrique disse ter se comprometido com os integrantes da CPI a conversar com o ministro da Justiça e o presidente do Banco Central para que se examine a existência de uma maneira legal de obrigar os bancos, por intermédio de uma instrução normativa, por exemplo, a fornecer, com mais rapidez as informações solicitadas pela comissão ou por algum juiz. Segundo ele, "o presidente do BC se antecipou e disse que a busca do conjunto de operações financeiras é feito pelo banco e é preciso que haja norma que leve o banco a agir mais depressa".





