FHC pede compreensão e ajuda
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
por Gisele Regatão, da AE 
Nova York, 11 (ae) - O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu a compreensão e a ajuda da comunidade financeira internacional e reafirmou o compromisso do governo em continuar as reformas, durante jantar promovido pelo Economic Club ontem a noite em Nova York. "Eu garanto que não admitirei que a complacência entre em cena sorrateiramente no Brasil" , disse o presidende. Cerca de 200 pessoas participaram do jantar, entre banqueiros, membros do clube e convidados. Cardoso, que foi apresentado pelo presidente do conselho do The Blackstone Group, Peter Peterson, como o Ministro da Fazenda que "heroicamente derrubou a inflação no Brasil de níveis superiores a 2000% em 1993 para menos de 2% em 1998" e como o presidente que superou a crise deste ano "passando no teste e provando ser o homem que pensa e o homem que age", relembrou os sucessos do Plano Real, mas enfatizou que a prosperidade do Brasil "depende de estar ligada as fortunas financeiras do mundo".
O presidente comparou a crise que atingiu o Brasil no início deste ano com um e-mail com o "virus de Chernobyl", que ameaçou apagar " em um instante o que construímos ao longo dos últimos anos. Mas nós fomos capazes de responder imediatemente e com determinação", disse, enfático. "Estamos no caminho certo, mas dentro do governo não há perigo de nenhuma euforia fora de lugar. O Brasil permanece em guarda." FHC afirmou que embora uma boa política necessite de paciência, os mercados financeiros estão ficando mais impacientes. "O capital financeiro move-se rapidamente e sem fricções, limitado apenas pela velocidade de conexão do computador de um operador." O presidente lembrou que o Brasil sentiu seu progresso ameaçado pelo contágio russo, que por sua vez tinha sido atingido pela " gripe" asiática.
Entre os indicadores de que o Brasil respondeu bem à crise, Cardoso mencionou a projeção de inflação para este ano, que está sendo revista a cada semana. Segundo ele, atualmente o governo trabalha com previsões entre 7 e 8%, "conservadoras se comparadas com os 3% sugeridos pela Fipe e os 4% previstos pelo Dieese". "O governo brasileiro só não é mais conservador que o Fundo Monetário Internacional", disse, referindo-se a meta de 15% de inflação firmada no acordo com o FMI. "Manteremos a inflação sob controle. Isso é inegociável", declarou Cardoso, ao reafirmar que o mecanismo de meta inflacionária continuará sendo a âncora da economia e que a retração do Produto Interno Bruto (PIB) ficará bem abaixo dos 3,5% previstos no acordo dom o FMI. "Como governo, eu prefiria dizer que a retração será zero, mas os bancos estão trabalhando com estimativas em torno de -2% para este ano e com crescimento de 4% no ano que vem."
O presidente Fernando Henrique Cardoso mencionou ainda a queda nas taxas de juros são um compromisso permante do governo. "Sabemos que ainda estão muito altas", afirmou. Em seu discurso, o presidente enfatizou o programa de privatização, "provavelmente o maior na história do capitalismo" e os investimentos estrangeiros, que atingiram a cifra de US$ 31 bilhões nos doze meses terminados em março. " Não estamos dizendo que não precisamos do seu dinheiro. Mas não temos urgência por capital", disse Cardoso à comunidade financeira internacional. O presidente enfatizou também os benefícios do Plano Real para as classes mais pobres, citando o estudo da Comissão Econômica para a América Latina das Nações Unidas. De acordo com o relatório, entre 1990 e 1996 o número de brasileiros com renda mensal abaixo de R$ 50,00 caiu de 33 milhões para 21,4 milhões. "Este foi uma dos mais importantes resultados do Plano Real", disse. "Como os dados estatísticos demonstraram, não existe contradição entre progresso social e eficiência econômica." O presidente, que esteve acompanhado do embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Paulo Tarso Flecha de Lima e do Ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia
participará de um café da manhã com banqueios as 9 da manhã e sairá de Nova York com destino a Brasília às 11:30.


