FHC pede cargos de ministros e confirma Malan e álvares
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segunda-feira, 12 de julho de 1999
Por Isabel Braga, Liege Albuquerque e César Felício 
Brasília, 13 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso determinou hoje que todos os ministros de seu governo pusessem seus cargos à disposição. Em curta nota oficial divulgada pelo porta-voz da Presidência, Georges Lamazire, o presidente informou a renúncia coletiva e disse que apenas os ministros da Fazenda, Pedro Malan, e da Defesa, Élcio álvares, estavam mantidos nos cargos.
"Tendo em vista as mudanças que serão feitas no governo, todos os ministros colocarão seus cargos à disposição do presidente", diz o documento. "O presidente informa que os ministros da Fazenda e da Defesa estão mantidos em seus cargos."
O gesto indica que as mudanças que o presidente pretende fazer na equipe poderão ser mais amplas que o previsto. Colaboradores próximos a Fernando Henrique comentavam hoje que o anúncio da reforma será feito pelo próprio presidente, mas ainda não há data definida. A rigor, todos os cargos de ministro são de confiança e estão sempre à disposição.
Essa é a segunda tentativa do presidente de promover a renúncia de seus ministros para poder formar, com mais liberdade
sua equipe. A primeira foi pouco antes de sua posse no segundo mandato, quando apenas o ministro-chefe da casa Civil, Clóvis Carvalho, e o da Política Fundiária, Raul Jungmann, atenderam à orientação.
A disponibilidade do Ministério foi uma decisão do Palácio do Planalto, tomada à revelia de qualquer negociação com os partidos da base de sustentação ao governo. Em pleno recesso do Legislativo, nenhum líder político está em Brasília nem foi procurado pelo presidente para falar sobre a renúncia. Os ministros ouvidos até o início da noite também não haviam recebido nenhuma orientação.
O primeiro a renunciar ao cargo foi Clóvis Carvalho, seguido por Pimenta da Veiga, titular das Comunicações e articulador político do governo. "Com a renúncia coletiva, a reforma passa a envolver todo o Ministério e o presidente fica com a liberdade indispensável para fazer as mudanças que julgar necessárias", afirmou o ministro tucano.
A assessoria de imprensa do Ministério do Desenvolvimento informou que o cargo de Celso Lafer sempre esteve à disposição do presidente. Muitos ministros estão fora de Brasília e foram surpreendidos pelo anúncio do Planalto.
A divulgação da nota provocou uma série de reuniões nos ministérios. O presidente deixou o Planalto mais cedo e recolheu-se no Palácio da Alvorada, sua residência oficial, sem dar explicações. Há mais de um mês, Fernando Henrique vem trabalhando silenciosamente na reformulação de sua equipe, atitude que causou nova crise entre os partidos aliados. Com a demora na definição, a tensão entre os políticos governistas e membros do Planalto aumentou nos últimos dias.
Prováveis alvos da reforma, PMDB e PPB acirraram a ofensiva para preservar seu espaço no primeiro escalão do governo. Arriscado a perder o cargo para compensar o PMDB pela possível demissão do ministro da Justiça, Renan Calheiros, o ministro da Agricultura, Francisco Turra, do PPB, recebeu hoje garantia da cúpula do partido de que a solução não será aceita. Na segunda-feira, Turra esteve no Palácio do Planalto, mas nega ter-se encontrado com o presidente. "O presidente tem de ter liberdade para fazer a reforma quando quiser e com quem quiser."
Exaltado, Renan também reagiu. "Tem muita gente corvejando, que deveria governar; só a República vai perder se o delírio dessa súcia continuar", disse o ministro, no Palácio do Planalto, logo após a sanção da lei de proteção a testemunhas. Ele respondia ao governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), que sugeriu publicamente a sua demissão.


