FHC pede ação judicial contra estímulo a saques
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quinta-feira, 30 de abril de 1998
Tânia Monteiro Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou ontem ação da Justiça contra quem apoiar saques promovidos pela população afetada pela seca. Se o apelo moral não é suficiente, a lei se fará sentir de toda maneira, afirmou Fernando Henrique, ao empossar o novo presidente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Sérgio Moreira, no Palácio do Planalto. De agora por diante, espero que os promotores e a Justiça se ocupem, e espero que o Ministério público atue, porque isso é incitar o desrespeito à lei, prosseguiu ele.
Em seu discurso, o presidente disse que os métodos adotados pelo governo para atender aos flagelados, não podem repetir os mecanismos viciados do passado. Após empossar Moreira, o presidente respondeu às novas críticas da Igreja, desta vez feitas pelo vigário-geral de João Pessoa, Luiz Antônio de Oliveira, que justificou os saques como resposta à falta de ações do governo contra a seca.
Qualquer pessoa de responsabilidade sabe que este não é o mecanismo, argumentou ele acentuando que transformar o saque em instrumento de política não é aceitável. No início da semana, os saques foram defendidos não só por outros integrantes da Igreja, como pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e pela Central Única dos Trabalhadores.
Para o presidente, reincidir na pregação aos saques, se referindo às novas acusações, é violar a lei. Agora, se os que dizem, reincidem, espero que o Ministério Público atue porque isso é incitar a violência. Após salientar que jamais criticou a Igreja, mas sim, algumas pessoas, o presidente declarou que incitar os saques não ajudam. Isso desorganiza e me dá a sensação de que tenho horror: é política eleitoreira. E prosseguiu: e nada mais terrível do que fazer política eleitoreira diante da tragédia humana.


