O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou ontem ação da Justiça contra quem apoiar saques promovidos pela população afetada pela seca. ‘‘Se o apelo moral não é suficiente, a lei se fará sentir de toda maneira’’, afirmou Fernando Henrique, ao empossar o novo presidente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Sérgio Moreira, no Palácio do Planalto. ‘‘De agora por diante, espero que os promotores e a Justiça se ocupem, e espero que o Ministério público atue, porque isso é incitar o desrespeito à lei’’, prosseguiu ele.
Em seu discurso, o presidente disse que os métodos adotados pelo governo para atender aos flagelados, não podem repetir ‘‘os mecanismos viciados do passado’’. Após empossar Moreira, o presidente respondeu às novas críticas da Igreja, desta vez feitas pelo vigário-geral de João Pessoa, Luiz Antônio de Oliveira, que justificou os saques como resposta à falta de ações do governo contra a seca.
‘‘Qualquer pessoa de responsabilidade sabe que este não é o mecanismo’’, argumentou ele acentuando que ‘‘transformar o saque em instrumento de política não é aceitável’’. No início da semana, os saques foram defendidos não só por outros integrantes da Igreja, como pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e pela Central Única dos Trabalhadores.
Para o presidente, reincidir na pregação aos saques, se referindo às novas acusações, é violar a lei. ‘‘Agora, se os que dizem, reincidem, espero que o Ministério Público atue porque isso é incitar a violência’’. Após salientar que ‘‘jamais’’ criticou a Igreja, mas sim, ‘‘algumas’’ pessoas, o presidente declarou que incitar os saques não ajudam. ‘‘Isso desorganiza e me dá a sensação de que tenho horror: é política eleitoreira.’’ E prosseguiu: ‘‘e nada mais terrível do que fazer política eleitoreira diante da tragédia humana’’.

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