Brasília, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso está pedindo aos aliados empenho para votar até o final do ano todas as reformas pendentes no Congresso. Depois de ter conversado na semana passada com lideranças do PMDB e com o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), hoje foi a vez de Fernando Henrique chamar ao Palácio da Alvorada o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PFL).
Num café da manhã de quase duas horas, Fernando Henrique disse que reconhecia a necessidade de realizar uma abertura social em sua política econômica, e pediu do deputado Inocêncio apoio para aprovar medidas consideradas fundamentais pelo governo. "O presidente quer votar até dezembro a regulamentação das reformas administrativas e da Previdência, além de aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal e concluir a reforma tributária"
relatou o líder do PFL.
Segundo Inocêncio, o presidente disse que continuará buscando o crescimento com a estabilidade da moeda. "O importante foi que ele reconheceu que é preciso uma pitada de social no seu governo", contou o líder pefelista. Na conversa, Fernando Henrique disse concordar com a criação da Comissão Mista do Congresso para estudar medidas contra a pobreza. O presidente também disse ser favorável à aprovação das propostas apresentadas pelo ministro Waldeck Ornélas para mudar o sistema previdenciário.
Segundo Inocênci, Fernando Henrique está preocupado com o desgaste provocado pelo novo aumento da gasolina. "O reajuste dos combustíveis tem um simbolismo muito grande para a classe média", disse o presidente, segundo relato de Inocêncio. Fernando Henrique teria determinado ao presidente da Agência Nacional do Petróleo, David Zylbersztajn, a proibição de sejam instalados de postos de combustíveis de auto-atendimento. Essa medida representará a garantia de 20 mil empregos. Na conversa, o presidente também teria dito que proibiu a Caixa Econômica Federal de aceitar apostas de jogos pela Internet. "Isso também garante a manutenção de outros 20 mil empregos", disse Inocêncio.
Outra preocupação demonstrada por Fernando Henrique refere-se à aprovação da urgência para a medida que prevê a rolagem das dívidas do setor ruralista. Segundo Inocêncio, o presidente não chegou a pedir para que ele não assinasse o pedido de urgência para esse projeto de lei. "Fernando Henrique é muito elegante e não me pediria isto; mas nem precisava porque eu não vou assinar o texto", disse Inocêncio.
O projeto foi aprovado hoje na Comissão de Agricultura. Se aprovado no plenário, um milhão de produtores rurais terá perdoados até 40% do total de R$ 25 bilhões de dívidas. Segundo Inocêncio, Fernando Henrique quer uma negociação entre os ruralistas e o ministro da Agricultura, Pratini de Morais.

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