FHC pede a empresários que evitem reajustar preços
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 20 (AE) - Depois de comemorar hoje, em discurso, a "queda razoável" da taxa de desemprego em setembro
o presidente Fernando Henrique Cardoso fez um apelo a empresários do setor de alimentos, comércio e serviços para que evitem repassar "aumentos injustificáveis" aos preços dos produtos em razão da alta do dólar. Ele argumentou que a economia brasileira importa apenas R$ 50 bilhões e produz R$ 800 bilhões e avisou: "o peso relativo do ajuste do dólar sobre o conjunto da economia não tem esse valor que muitas vezes se atribui como justificativa para aumentar preços que não podem ser justificados por aí e não devem ser aumentados".
Em encontro realizado hoje no Planalto, Fernando Henrique ouviu cinco discursos carregados de elogios e apoio ao governo e algumas reivindicações desses setores. Empolgado com o que chamou de "renascer do otimismo" dos brasileiros, o presidente lembrou o papel dos empresários e da sociedade para evitar a volta da inflação depois da desvalorização do real no início deste ano, pedindo novo empenho agora.
"Nós vamos precisar continuar lutando nesta mesma direção e os senhores continuarão sendo essenciais na negociação para os preços de fim de ano." Fernando Henrique lembrou que a desvalorização da moeda provocou "ajustes desagradáveis" de alguns preços de produtos importados, como o do petróleo, e também aumentos de "difícil justificativa" como o de alguns remédios. "Mas em termos médios houve a possibilidade de controlarmos aquilo que poderia ser uma espiral inflacionária", disse. "O fato de termos relativamente economia fechada ocasiona problemas, mas deste ângulo é uma defesa: o preço do dólar não é o índice do preço em reais."
Desemprego - O presidente abriu seu discurso comemorando a queda das taxas de desemprego em setembro, em comparação com os dados de setembro do ano passado. "O dia hoje começou auspicioso, pelo menos para mim", disse o presidente. Ele fez questão de enfatizar que nos dois meses anteriores os dados já haviam apresentado uma estabilidade na tendência, que até então prevalecia, de agravamento da situação do desemprego.
"Agora é de se esperar que esta tendência se materialize de tal forma que possamos ter um fim de ano melhor para as famílias dos brasileiros", disse, acrescentando: "sobretudo para os mais pobres, para as donas de casa, trabalhadores, os da classe média que têm direito a uma expectativa de um Natal mais feliz". Segundo o presidente, os sinais de otimismo em relação ao desempenho do governo "voltam com mais força no conjunto da sociedade" Para Fernando Henrique "não há razões" para os brasileiros não voltarem a ter crença no futuro do Brasil. "Vencemos batalhas importantes, o povo pagou um preço". Na presença dos empresários, Fernando Henrique voltou a afirmar que a atenção do governo está voltada para os pequenos produtores, lembrando diferentes ações do governo para esta área.
Juros - Fernando Henrique voltou as reiterar a decisão do governo de manter a tendência de queda dos juros. "Será uma batalha grande, que não se resolve com uma penada do presidente da República", disse, "Não é a vontade política que resolve, é o conjunto das ações da sociedade para que nós possamos avançar." O presidente lembrou que o Brasil possui diferentes taxas de juros, que o governo está se empenhando para garantir a redução dos juros para a produção e que a luta agora é para baixar os juros na ponta, para o consumidor. "E isso vai depender dos bancos se organizarem melhor, de terem melhores cadastros de crédito, de terem menos gastos suntuários (suntuosos), cobrou Fernando Henrique.
"Não é um esforço do governo apenas, tem de ser também do setor produtivo, é preciso que haja pressão crescente na sociedade para que esses processos ocorram." Estavam presentes na solenidade os presidentes da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA), Edmundo Klotz; da Associação Comercial do Estado de São Paulo, Alencar Burti; da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário, Ermínio Alves de Lima Neto; da Associação Brasileira das Empresas de Conservação Ambiental, Jean Dunkl Junior; e da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação, Artur Bueno de Camargo.


