FHC passa o dia em conversas com assessores
Brasília, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso passou a quarta-feira em conversas com ministros e assessores próximos discutindo a reforma ministerial. Pela manhã, recebeu no Alvorada o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e da Saúde, José Serra, e os assessores parlamentares Moreira Franco e Vilmar Faria, além do senador Paulo Hartung (PSDB-ES). Contrariando o costume, Pimenta da Veiga, articulador político do governo, saiu sem dar qualquer declaração à imprensa.
Mesmo demissionária, a maioria dos ministros procurou manter o ritmo de trabalho. Exceto o da Justiça, Renan Calheiros. O ministro chegou a fazer uma cerimônia em seu ministério, mas cancelou a viagem que faria aos Estados Unidos. Calheiros afirmou que o PMDB não irá brigar por cargos . "Eu tenho defendido isso no PMDB, passada a fase das fofocas de lavadeiras
deixo o presidente Fernando Henrique Cardoso decidir", afirmou.
O ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, negou-se a comentar sua possível saída do ministério, ao chegar ao Ministério da Fazenda para se reunir com o ministro Pedro Malan. Já Francisco Turra, da Agricultura, declarou: "Estamos trabalhando até o último momento", disse. "A palavra final é do presidente, nenhum ministro tem carteira assinada."
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, foi prestigiado hoje pelo presidente Fernando Henrique com cerimônia no Palácio do Planalto para o lançamento do programa Nossa Terra-Nossa Escola. O ministro chegou a fazer piadas quando os jornalistas perguntaram como estava a reforma ministerial. "A reforma agrária vai muito bem, obrigado e eu não tenho nenhuma ansiedade, nenhuma preocupação", afirmou. "O que o presidente decidir está bem decidido."
O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, também adotou o discurso de quem deve permanecer no cargo. "Ministro ou não, o presidente terá meu apoio integral e um bom aliado para fazer uma grande administração que é o que a sociedade precisa dele", disse. O ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, disse que os jornalistas são "criativos" e que quem decidirá sobre o novo ministério é o próprio Fernando Henrique. O ministro da Educação, Paulo Renato, chegou de manhã dos Estados Unidos, e mesmo gripado, participou da solenidade no Planalto.
Na solenidade no Planalto, Fernando Henrique Cardoso não discursou. "Uma fala do presidente tem de ser algo de destaque e ele vai falar só quando for preciso e necessário", afirmou um assessor. O porta-voz da Presidência, Georges Lamazire, disse que o discurso do ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, cumpriu o papel de informar o trabalho do governo desenvolvido para a reforma agrária. "O presidente já fez diversas intervenções sobre o tema e depois do discurso do ministro Jungmann não viu necessidade de falar mais."





