FHC obtém apoio do primeiro-ministro para área de livre comércio
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Isabel Braga 
Bonn, Alemanha, 15 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu hoje o apoio do primeiro-ministro alemão Gerhard Schreder para lançar em junho as bases de uma negociação entre o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e a União Européia (UE) para a criação de uma área de livre comércio
incluindo produtos agrícolas. Schreder afirmou hoje, após receber o presidente para um almoço de trabalho na sede do governo alemão em Bonn, que a Alemanha irá se empenhar "energicamente" e "pressionar" os outros 14 países da UE para que aceitem o início dessas negociações durante a cúpula UE
América Latina e Caribe, a ser realizada entre 28 e 29 de junho
no Rio.
Para que isso se concretize, é preciso que os 15 países do bloco europeu concordem dar à comissão euopéia um mandato negociador. "Somos da opinião que convém preparar bem a cúpula de junho e vamos fazer com que a comissão receba o mandato negociador", afirmou o primeiro-ministro alemão. "Por mais importante que sejam os interesses agrícolas de alguns países da União Européia, eles não podem impedir a entrada em mercados como o sul- americano e brasileiro de produtos industrializados da Europa", argumentou. Schreder estava referindo-se às resitências ao acordo - de alguns países da UE, em especial da França - em razão dos altos subsídios estatais concedidos aos produtores agrícolas. Esses subsídios, que representam mais de 50% do orçamento da UE, impedem que produtos agrícolas brasileiros e do Mercosul possam competir - em pé de igualdade - com similares europeus. A negociação entre a UE e o Mercosul conta também com o apoio dos empresários alemães, que hoje voltaram a reiterar a disposição para que as relações comerciais se intensifiquem entre os dois blocos, durante encontro com Fernando Henrique, em Colônia.
O presidente aproveitou a platéia de empresários em Colônia para destacar que as negociações que o Mercosul vem fazendo para a criação da área de livre comércio das América não tornem inviáveis os entendimentos com a UE. "Nós precisamos uns dos outros, precisamos de um mercado americano cada vez mais integrado, precisamos da Europa e vice-versa", disse Fernando Henrique. Em entrevista aos jornalistas brasileiros, ele mostrou-se satisfeito com o apoio recebido na Alemanha e cobrou maior empenho da UE para avanços reais na cúpula de junho.
"Achamos que é preciso uma negociação séria de tudo, o que implica inclusive no fim das barreiras aos produtos agrícolas", disse o presidente, acrescentando que a decisão de incluir no acordo o setor agrícola é "uma posição firme" do Brasil. Segundo Fernando Henrique, a Europa tem hoje um papel global importante e não pode pensar apenas em defender interesses de agricultores. "Não se trata apenas de defender um pequeno pedaço da produção européia: ela tem de levar adiante as relações comerciais, também com o Mercosul, por mais que alguns percam, porque todos vão ganhar em termos da economia global."


