Cidade do México, 30 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso regressou hoje a Brasília, depois de uma viagem de três dias à Cidade do México, onde participou da reunião do Grupo do Rio, ao lado de nove outros presidentes. Durante os três dias que esteve no México, Fernando Henrique negou-se a falar sobre qualquer problema interno brasileiro.
Mas, o que mais o preocupa na volta ao Brasil é a pressão que o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, está sofrendo por causa das denúncias de que teria patrocinado o grampo durante o processo de privatização da Telebrás. O presidente considera o general um dos mais leais e mais importantes assessores. Por isso mesmo, quer o preservar dos ataques que está sofrendo. Durante a viagem, quando a crise do grampo envolvendo a Casa Militar se agravou, o general não telefonou para Fernando Henrique. Na chegada a Brasília, ainda na Base Aérea, o general deverá colocar o presidente a par dos acontecimentos e das medidas tomadas por ele durante os últimos dias.
Pouco antes de embarcar, ainda no Hotel Nikko, onde ficou ficou hospedado,o presidente, ao ser indagado se esperava que esta semana seja mais calma, apenas sorriu concordando com um aceno de cabeça.
A primeira-dama Ruth Cardoso, no entanto, que estava ao lado dele, foi quem respondeu: "Claro, todos esperamos." Além da questão do grampo durante a privatização do Sistema Telebrás, o presidente enfrentará uma outra guerra: travada entre os ministros da Previdência Social, Waldeck Ornélas, e da Saúde, José Serra. Mas Fernando Henrique espera que o assunto tenha se esgotado no fim de semana e está confiante que, com os ânimos mais calmos, os dois ministros parem de trocar ofensas.

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