Brasília, 05 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso avisou hoje, por meio do porta-voz, embaixador Sérgio Amaral, que não irá intervir na disputa que PMDB e PFL estão travando no Congresso. Amaral tentou diminuir a importância da briga.
Segundo Amaral, Fernando Henrique "acredita que o assunto vem assumindo um vulto maior do que se justifica". Amaral afirmou que a disputa entre partidos da base "é normal e tenderá a ser superada".
Amaral também negou que o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, tenha sugerido a Fernando Henrique o rompimento do governo com o PMDB em razão da insistência na criação da Comissão Parlamentarr de Inquérito (CPI) dos Bancos. "O ministro Pimenta não procurou o presidente para sugerir o rompimento com o PMDB", disse Amaral, desmentindo informações neste sentido que circulam nos bastidores políticos e irritaram os caciques do PMDB.
Amaral afirmou, entretanto, que o presidente não compartilha da opinião expressada pelo presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), em entrevista a um jornal carioca, neste final de semana, de que o Banco Central (BC) está sob suspeição, em razão da venda de dólares à baixa cotação, às vésperas da desvalorização do real, aos Bancos Marka e Fontecindam. "O presidente não vê qualquer razão para colocar sob suspeição o Banco Central, mesmo porque ele está convencido que o BC dará os esclarecimentos pertinentes sobre a questão do Banco Marka", afirmou o porta-voz.
Para Fernando Henrique, não há "indicação" de que as disputas políticas entre os dois partidos da base e a criação das CPIs do Judiciário e dos Bancos possam, "necessariamente", prejudicar o andamento das reformas constitucionais na Congresso
em especial a tributária. "Inclusive porque as CPIs vão ter lugar no Senado, enquanto as reformas têm suas discussões na Câmara", ponderou Amaral. "O presidente confia que as CPIs serão conduzidas com serenidade, equilíbrio e de modo construtivo." Segundo Amaral, Fernando Henrique não vê razão para que iniciativas tomadas agora pelos partidos da base aliada tenham em vista as eleições presidenciais de 2002. "O presidente acha que está muito longe: as eleições só vão transcorrer daqui a três anos". O porta-voz também não confirmou a indicação do ex-deputado do PMDB Genésio Bernardino para a presidência do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), alegando que o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, não submeteu este nome ao presidente.
Amaral informou hoje que o interlocutor do governo na reforma tributária será o líder na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Ele negou que o presidente tenha decidido indicar o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, para esta função. "Quem vai conduzir os entendimentos com o Congresso é o líder do governo, deputado Arnaldo Madeira, mas evidentemente que ele acionará, quando necessário, ministros e funcionários competentes", explicou.
O porta-voz acrescentou ainda que Maciel, "certamente"
será um dos "importantes interlocutores" de Madeira e, "por decorrência, do Congresso". "A reforma tributária envolve várias questões e, acredito que, para diferentes questões, possa haver diferentes interlocutores, mas quem coordenará tudo isso é o líder Arnaldo Madeira."

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