Bonn, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, ao chegar à capital alemã, que não tem nenhum constrangimento de visitar este país, embora o Brasil se tenha manifestado contra os bombardeios da Otan sobre a Iugoslávia sem a prévia chancela da ONU.
"O nosso relacionamento com a Alemanha é muito fluído, muito positivo, e o embaixador Abdenur (Roberto Abdenur, embaixador brasileiro em Bonn) me confirmou que não há nenhum reparo feito pela chancelaria alemã com relação às posições do Brasil."
O presidente lembrou que a posição do Brasil, já conhecida, é a de que é preciso prestigiar as Nações Unidas e que "quaisquer intervenções devem passar por um momento de legitimação, para que tenham mais força".
Ele admitiu que, no caso específico da OTAN com relação a Kosovo, as razões para o bombardeiro são de base humanitária, para evitar que haja massacre de populações civis dentro da Iugoslávia.
"O que preocupa o Brasil é que, havendo esta motivação, ela possa perder-se diante da não-existência de uma compreensão mais clara, por parte da opinião pública mundial, das razões e mecanismos que levam aos ataques feitos", disse o presidente. "E acho que é uma preocupação legítima", acrescentou.
Ele lembrou que a posição do Brasil é sempre negociadora, de criar condições para negociar. "E vejo que cada vez mais este é o pensamento da Alemanha, inclusive de não afastar o governo russo das negociações", observou. "A procura deve ser a de que haja uma instância legitimadora, para que não exista a interferência de forças armadas de um país sobre o outro, sem que haja um consentimento."

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