Roma, 17 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso negou há pouco, ao desembarcar na capital italiana, que tenha feito ameaça aos empresários que estão reajustando preços, contribuindo para o aumento da taxa de inflação no País. "Eu não fiz ameaça nenhuma. O que eu falei foi que quanto menor for a alta de preços, quanto menor for o risco de inflação, mais rápido vai ser possível baixar as taxas de juros. Foi isso o que eu disse", observou.
"Quer baixar a taxa de juros? Eu também quero", continuou FHC. "É verdade que alguns preços administrados subiram. Mas isso não pode servir de pretexto para que haja um contágio dos outros preços", afirmou. "Eu não ameacei ninguém. Eu estou simplesmente pedindo que todos tenham consciência de que, só porque subiu um preço, os outros não precisam subir, até porque não há razão para nós estarmos agora falando em volta da inflação. Há razão, sim, para nós estarmos empenhados - e o governo está - em reduzir a taxa de juros e retomar o crescimento".
Culpados - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ainda que não se deve procurar culpados na questão dos aumentos de preços. "Se os empresários, os consumidores, a sociedade tiverem a consciência, que aliás temos, de que é preciso evitar de todas maneiras a inflação nós não vamos ter inflação", disse o presidente quando respondeu negativamente a pergunta se o governo era o responsável pelo aumento dos preços. "O povo não está em busca dos culpados, mas de quem resolva os problemas", disse.
Segundo ele, a resposta dos empresários de que a responsabilidade dos aumentos de preços recai sobre o governo merece uma análise. "Eu acho que o que foi dito por alguns é que se trata de aumentos de preços administrados, das tarifas públicas", comentou. Fernando Henrique lembrou que não é mais o governo quem regula os aumentos dos preços administrados, mas as agências reguladoras. E estas Agências, segundo o presidente, avaliam os contratos firmados, que devem ser executados. "Quem regula estes aumentos não é mais o governo, mas as agências reguladoras e existem os contratos", acrescentou. Fernando Henrique lembrou que no caso dos preços do petróleo, o aumento foi motivado por uma ação do mercado internacional.
O presidente seguiu do aeroporto para a embaixada brasileira em Roma, onde descansará. Não está previsto qualquer encontro oficial do presidente hoje e sua agenda só relaciona um jantar privado. A programação oficial só prevê compromissos oficiais a partir de amanhã (18), às 16 horas, quando Fernando Henrique falará na sessão Bianual da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

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