Brasília, 15 (AE) - O ministro da Defesa, Élcio álvares, confirmou hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso não viajará mais nos Sucatões, como são chamados os boeings 707 da Força Aérea, que são utilizados pela Presidência para vôos internacionais. Hoje, Fernando Henrique aproveitou uma reunião no Planalto com objetivo de tratar de problemas da Embraer, para discutir com álvares e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Walter Brauer, o destino dos Sucatões. A próxima viagem internacional será para Portugal, em março.
"A decisão de não usar mais o Sucatão foi tomada em cima de uma realidade", disse o ministro da Defesa, referindo-se ao incidente, na última terça-feira, com o boeing número três da Presidência, da mesma série do avião de Fernando Henrique, que levava o vice-presidente Marco Maciel. O avião foi obrigado a fazer um pouso de emergência em Amsterdã, na Holanda, por causa de um incêndio em uma das turbinas. "Dessa vez é definitivo, o presidente não viaja mais de Sucatão", anunciou o ministro.
A decisão do presidente, anunciada por Élcio álvares pegou de surpresa o pessoal da Força Aérea que enviou uma equipe no boeing número quatro da Presidência para consertar a turbina estragada do Sucatão 3 e, em seguida, trazer Marco Maciel. Mas o vice-presidente, que está na China, regressará ao Brasil em vôo comercial. Segundo o ministro da Defesa, os sucatões não voam mais para a Presidência.
A FAB possui quatro boeings 707. O principal, que serve a Fernando Henrique, está em manutenção preventiva na Base Aérea do Galeão e só estará liberado para voar em fevereiro, depois de dois meses de reparos. O avião reserva do presidente, o Sucatão 2, também está parado só que para uma revisão muito maior, que irá demorar seis meses para ser concluída.
Várias soluções estão em estudo para a substituição dos Sucatões. Segundo Élcio álvares desde ontem o governo estuda a hipótese de compra de um novo avião, "dentro da realidade da Presidência para vôos nacionais e internacionais". O ministro falou ainda em leasing, aluguel e até comodato, citando como exemplo o jato 145 da Embraer, que não serviria, no entanto, para vôos internacionais por ser um avião com apenas cinco horas de autonomia. Na hora da escolha, de acordo com o ministro, será levado em conta o que é mais adequado.
O Planalto não pensa, no entanto, em substituir os atuais aviões 737 que o presidente usa para viagens nacionais e às capitais da América do Sul.
O Sucatão 1, que serve ao presidente, tem 42 anos.

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