FHC não quis anunciar saída de Greca em entrevista, esclarece Planalto4/Mar, 18:58 Por Sandra Sato Brasília, 4 (AE) - O Palácio do Planalto esclareceu hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso não pretendeu anunciar demissão do ministro dos Esportes, Rafael Greca, por meio da entrevista que concedeu à revista Época, na edição deste fim de semana, e o seu nome está confirmado entre os integrantes da comitiva presidencial que embarca terça-feira para Lisboa. Apesar do desmentido, a situação do ministro está cada vez mais complicada. O partido de Greca, o PFL, já não sustenta mais a sua permanência no governo. Nem o maior cacique do partido no Paraná Jaime Lerner, defende a sua manutenção. Greca está sozinho e cercado de denúncias de corrupção envolvendo assessores diretos. Oito deles já tiveram os sigilos bancários e fiscal quebrados. E o Ministério Público está investigando as ligações do ministro. Mas oficialmente assessores do Planalto disseram hoje que a intenção do presidente, na entrevista à revista Época, era mostrar que a falta de experiência no Congresso atrapalhava Greca a se desvencilhar do bombardeio que vem sofrendo desde que assumiu o cargo. Quando repórteres da revista perguntam se o presidente vai demitir Greca após as comemorações dos 500 anos, Fernado Henrique afirma que "foi um erro nomear o Greca sem deixar que ele passasse algum tempo no Congresso". Fernando Henrique elogia o ministro pelo trabalho de organização dos festejos dos 500 anos, sua inteligência e por ter sido grande prefeito de Curitiba. Porém, o presidente diz que ele "está apanhando demais". O ministro Greca ficou preocupado com as declarações do seu chefe e procurou, hoje, assessores do presidente para saber se não estava causando constrangimento ao governo. Foi dito a ele que a reportagem já havia sido discutida no Planalto e esclarecido que o raciocínio do presidente era no caminho das dificuldades que Greca enfrentava para responder às críticas. Eleito deputado federal pela primeira vez, Greca foi o mais votado da base governista, mas apenas tomou posse e imediatamente licenciou-se para ocupar cargo no governo. O assessor de imprensa do ministro, Raul Mesquita, disse que Greca é alvo do "lobby do jogo". "O ministro quer disciplinar o jogo na Caixa Econômica Federal e para o lobby do jogo quanto pior, melhor", afirma o assessor, identificando ainda os adversários políticos de Greca no Paraná como outros responsáveis pelas denúncias e críticas que envolvem a gestão do ministro. "Os senadores álvaro Dias (PSDB), Osmar Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB) procuram atingi-lo de uma forma ou de outra", observa Mesquita acusando-os de não querer Greca como candidato ao governo do Paraná, porque ele seria "imbatível". O assessor também comenta que o ministro está à frente do comitê dos festejos de 500 anos, integrado também pelos ministros da Cultura, Francisco Weffort, e das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, além do secretário de Comunicação Governamental, Andrea Matarazzo.