Brasília, 25 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso melhorou o desempenho à frente do governo na avaliação da população, de acordo com pesquisa Vox Populi realizada entre os dias 15 e 18. O presidente conta agora com a opinião positiva de 16% dos cidadãos (somados os índices de ótimo e bom) contra 12% de dezembro, e reduziu de 59% para 43% a avaliação de ruim e péssimo do governo. A opinião de que a administração é regular saltou de 26% para 40%. "Fernando Henrique está num processo de recuperação", diz o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade, entidade que patrocina a pesquisa.
"A estabilidade do câmbio, a reativação da economia e ações efetivas do presidente contra a impunidade e a favor dos Estados vitimados pelas enchentes, em visitas que fez, explicam esta reversão." Na opinião de Andrade, porém, a população ainda resiste em confiar plenamente no presidente. "O sentimento de decepção era muito forte e isso demora a mudar", afirma. "A tendência das pessoas é de retomar o apoio ao presidente, mas ainda desconfiam do sucesso e da continuidade das ações do governo." De janeiro a fevereiro de 1999, Fernando Henrique perdeu nove pontos porcentuais na avaliação positiva que a população fazia do governo.
Na classificação de ruim e péssimo, ele saltou, em um mês, de 33% para 47%. A tendência de queda na popularidade foi mantida e, em setembro, 65% dos cidadãos classificaram negativamente o desempenho.
Já o Índice de Satisfação do Cidadão deste mês, divulgado hoje pelo Vox Populi, é o mais alto desde março. Numa escala em que o ponto médio é 120, registrou-se 109,20. Do total dos 2.002 entrevistados para a pesquisa em 195 municípios, 53% afirmam que se sentem satisfeitos em viver no País, contra índice de 41% de outubro.
O Brasil está andando para a frente na opinião de 23% dos consultados, quando, há dois meses, apenas 12% pensavam desta forma. Mas os números, e não a tendência revelada, continuam, neste ponto, desfavoráveis ao presidente: metade dos brasileiros (52%) afirma que o País está parado e 23%, que está andando para trás. Cresce o total de cidadãos que garantem ter aumentado o orgulho de ser brasileiros (25% atuais contra 16%), mas 19% informam que este sentimento tem diminuído.
Em relação à própria situação e a da família, do total dos entrevistados, 23% afirmam que a situação está "melhorando ou melhorando muito", contra índice de 14% de outubro. O grupo daqueles que acreditam que a vida está "piorando ou piorando muito" caiu de 45% para 30%.
Fatos como a demissão da funcionária Solange Antunes do Ministério da Defesa contribuíram, na avaliação de Andrade, para melhorar a imagem do presidente. A atuação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara serviu para recuperar a confiança na punição de crimes. A impunidade no País está diminuindo na visão de 7% dos consultados, contra índice de 5%, da pesquisa anterior.
A opinião de que a corrupção está "aumentando muito" foi de 49% dos brasileiros e, agora, é de 41%.
A pesquisa procurou saber também como o cidadão vê o empenho do governo federal em resolver questões como miséria, violência e desemprego. As respostas mostram que, para a maioria da população, o governo está falhando nesta área: 85% da população acham que o governo está "pouco empenhado" na solução da miséria, e 82% e 74% vêem pouca disposição em solucionar problemas como a violência e o desemprego, respectivamente.
"As pessoas entraram no ano 2000 com muita esperança", observa o presidente da CNT. "Mas é preciso atacar fortemente o desemprego e investir mais no social." Em relação a 1999, 45% dos entrevistados disseram que o País "tem mais chances" de se desenvolver no novo ano. Para 40%, a oferta de emprego será "maior" daqui para frente.

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