FHC manterá reunião com governadores apesar de Itamar
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 12 (AE) - Qualquer que seja a decisão do governador mineiro, Itamar Franco (PMDB), o presidente Fernando Henrique Cardoso manterá a reunião com os demais 26 governadores para o dia 26, na Granja do Torto, em Brasília. Fernando Henrique está apostando, no entanto, que o ex-presidente participará do encontro, uma vez que todos precisam buscar soluções para os problemas nos Estados.
Por isso mesmo, o Palácio do Planalto continuará empenhando-se para que cada um dos 27 governadores compareça à reunião.
"Há esperança de que todos estarão presentes", comentou o secretário de Assuntos Federativos do Palácio do Planalto, José Abrão, ao lembrar que a União não está fechando os olhos para os problemas dos Estados.
"O governo federal não está dizendo que os Estados se virem; ao contrário, quer buscar soluções conjuntas", comentou Abrão, acentuando que, no entanto, tem de haver reciprocidade dos Estados. Para ele, os fatos não podem ser invertidos - o problema do Brasil não pode se resumir ao de um único Estado.
Até agora, o presidente reuniu-se com 12 governadores e quer prosseguir nesse entendimento. Segundo Abrão, a intenção do governo federal era, primeiro, conversar com cada um dos governadores para conhecer de perto as dificuldades. A partir daí, tentaria resolver os problemas comuns, de forma semelhante e verificar como cada Estado enfrentou a dificuldade, com o objetivo de aproveitar a experiência de um para outro, além de ouvir as sugestões apresentadas pelos governantes. "Só que a situação política precipitou os fatos", comentou ele, lembrando que a solução não passa única e exclusivamente pela renegociação da dívida.
Na opinião dele, a solução virá "olhando para a frente e não para trás". No caso de Minas Gerais, comentou, quando o País eliminou a inflação, pegou o Estado com o pico da folha de pagamento, sendo agravado com a concessão de aumentos para os professores e os policiais. Por isso mesmo, os problemas só se agravaram. Para Abrão, por isso é preciso que os Estados revejam todas as formas de melhorar a contas: passando a cobrar contribuição de aposentados, acabando com vantagens extras na aposentadoria, reduzindo os repasses para os poderes Judiciário e Legislativo - que, em alguns Estados, alcança 15% da arrecadação e são empregados na construção de prédios suntuosos e não na melhoria da máquina -, privatizando setores não-primordiais para o Estado, acabando com a guerra fiscal e outras medidas que podem ser sugeridas pelos próprios governadores.
Abrão garantiu que Fernando Henrique está dando o mesmo tratamento a todos os governadores, uma vez que eles foram eleitos pelo povo e estão alí representando os interesses daquela região. "Não há pessoas físicas", assegurou Abrão, ao lembrar que, qualquer que seja a atitude do homem público, ele tem de ter responsabilidade.


