Brasília, 07 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso ainda terá esta segunda-feira para rever a sua decisão de não receber os três governadores de oposição designados para negociar com o governo federal as dívidas estaduais. Se decidir fechar as portas do Palácio do Planalto para a comissão de oposicionistas, no entanto, passará por um constrangimento: Ronaldo Lessa (PSB), de Alagoas, Olívio Dutra (PT), do Rio Grande do Sul, e Anthony Garotinho (PDT), do Rio de Janeiro, estarão lá no dia e hora anteriormente marcados para o encontro com ele.
Até as 20 horas de hoje, a decisão do presidente não havia mudado, segundo seus assessores: Fernando Henrique não receberia a comissão para negociar por todos os governadores de oposição. O governo federal reabriria as negociações de forma individual, e apenas para os governadores que julgasse merecedores.
"Se o presidente não nos receber, será ele quem estará radicalizando", afirmou Lessa hoje, em São Paulo. "Não é hora de enfrentamento: o Brasil requer nesse momento equilíbrio de todas as partes", afirmou Garotinho, em entrevista à Rádio CBN.
Fernando Henrique desmarcou a audiência na sexta-feira, logo após a divulgação da "Carta de Porto Alegre" - um documento assinado pelos sete governadores de oposição no Palácio do Piratini, que reivindicava a renegociação das dívidas
incluída a suspensão do pagamento até a conclusão das negociações.
O presidente encarou como radicalismo a posição dos governadores oposicionistas e anunciou que apenas voltará a negociar depois que os administradores estaduais fizerem o ajuste fiscal. Essa, segundo o governo, é a mesma condição que o Fundo Monetário Internacional (FMI) impõe para fechar o acordo com o governo federal.
Erro - A oposição, aliás, avalia como um erro do presidente o cancelamento do encontro com a comissão de governadores. Segundo um oposicionista, até a reunião de Porto Alegre toda a dinâmica política indicava o isolamento do governador mineiro, Itamar Franco (PMDB), que tem sustentado as posições mais radicais dentro do grupo.
Também é clara a disposição dos Estados de cumprir seus compromissos com a União. "O presidente, ao desmarcar a audiência, acabou fortalecendo Itamar."
O governador mineiro, aliás, foi parcialmente derrotado na reunião de governadores de oposição, pois queria incluir no texto o compromisso dos demais com a moratória, além de críticas mais contundentes ao governo federal. Se o documento final abrigou pontos tão amplos foi por dificuldade de conciliar interesses diversos como os dos pequenos Alagoas e Acre, e dos grandes Rio e Minas.

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