FHC manda ministros do PMDB para falar com Itamar
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Cláudia Carneiro e Tânia Monteiro 
Brasília, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso vai enviar sexta-feira (12) emissários a Belo Horizonte para reabrir o diálogo com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), um mês depois de explodir a crise entre os governos federal e mineiro
Os ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e da Justiça, Renan Calheiros, e o secretário de Políticas Regionais, Ovídio DAngelis, todos peemedebistas, vão ao encontro com Itamar, no Palácio da Liberdade, e em nome do presidente.
O aceno de Fernando Henrique coincide com a derrota, na véspera, de Itamar no Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou o impedimento da União de sacar recursos nas contas do Estado. Essa decisão do STF era aguardada pelo Palácio do Planalto, que considerava fundamental o quadro político virar em favor do governo federal. O isolamento político que o governador mineiro começa a sofrer dos colegas governadores reforçou a estratégia do governo de buscar o diálogo com um Itamar enfraquecido, mais suscetível a negociar.
A iniciativa do governo federal ocorre também no momento em que Fernando Henrique é criticado na imprensa estrangeira por "não conseguir" dialogar com os governadores. "Este é um gesto político da parte do presidente Fernando Henrique", afirmou Padilha.
"O presidente manifestou interesse em que comparecêssemos a Belo Horizonte e ouvíssemos o governador Itamar para iniciarmos o processo de reaproximação, vendo os interesses do governo de Minas e os do governo federal."
"Este encontro deve inaugurar a relação civilizada não só entre o governo federal e o de Minas, mas com todos os governadores", observou Calheiros, que ainda prevê reações positivas no mercado e bons reflexos no momento econômico do País. A estratégia do governo federal é a de não provocar Itamar
que começa a perder nessa disputa de forças com Brasília. A tática é revelada também no discurso conciliador do ministro das Comunicações, articulador político do governo e adversário de Itamar, Pimenta da Veiga. "Nossa proposta é o diálogo, e o governo está disposto a discutir com qualquer setor que tiver problemas, mas, para isso, é preciso que as duas partes queiram dialogar", afirmou Veiga.
Padilha, Calheiros e DAngelis deverão encontrar-se com Itamar logo depois do almoço, mas fazem a refeição no Palácio da Liberdade, enquanto esperam o governador voltar de um compromisso que tem com empresários estrangeiros. O tom político da conversa dos ministros peemedebistas com Itamar não vai avançar em questões técnicas sobre a negociação com o Estado. "Nosso limite é o que está sendo apresentado aos governadores pelo ministro Pedro Malan (Fazenda)", afirmou, mais tarde, Padilha.
A proposta do governo federal aos governadores, que inclui Itamar, está sendo elaborada sobre quatro pontos: discutir compensações aos Estados para as perdas com a Lei Kandir; criar fórmulas para compensar o prejuízo com o Fundo de Participação dos Estados (FPE), em função do repasse feito para o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF); propor ajuda federal na constituição de fundos previdenciários nos Estados, com a iniciativa da União de securitizar ativos estaduais e, por último, antecipar receitas de privatizações estaduais.
O encontro com Itamar começou a ser planejado no sábado (06), numa conversa de Padilha com o governador. Ontem, os ministros peemedebistas fizeram um último contato com o principal assessor de Itamar, o secretário da Casa Civil e das Comunicações de Minas Gerais, Henrique Hargreaves, para então acertar com Fernando Henrique, hoje de manhã, no Palácio da Alvorada, a conversa entre o governador e os enviados a Minas.
No centro das negociações está também Veiga, que articula a reunião de Fernando Henrique com todos os governadores.
Veiga deve anunciar, entre amanhã (11) e sexta-feira, a data e o formato do reunião, mas, hoje, voltou a ser taxativo quanto às insistências de que o governo federal aceite renegociar dívidas. "Renegociação de contratos não haverá", sustentou Veiga, para completar: "Haverá negociação em outras questões financeiras para aliviar os Estados."


