FHC manda equipe econômica analisar aumento do mínimo
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Tânia Monteiro, Lu Aiko e Isabel Braga 
Brasília, 22 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso encomendou hoje à equipe econômica um estudo mostrando diversas possibilidades de aumento do salário mínimo, com o respectivo impacto desses reajustes sobre o déficit da Previdência, inflação e contas públicas. O governo só admite a concessão de um aumento que mantenha o mesmo patamar da economia
sem afetar a estabilidade da moeda.
Por isso mesmo, um mínimo de 180 reais, correspondente a US$ 100,00, como quer o PFL, está descartado.
O presidente quer apresentar "dados concretos provando" o que é considerado viável pelo governo. O Orçamento deste ano projetou uma elevação dos gastos em 7%, o que foi considerado uma sinalização para o aumento do salário mínimo. Embora não haja ainda qualquer número projetado pelo Planalto ou pela área econômica, auxiliares do presidente começam a pensar que um reajuste de pouco mais de 10% talvez fosse uma possibilidade. O governo não pensa também em conceder qualquer tipo de abono, como foi sugerido por alguns setores.
Esboços desses estudos de impacto de reajuste do salário poderão ser apresentados pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, à comissão do PFL que discute o mínimo, na quinta-feira (24). Mas dados mais completos só deverão estar prontos na próxima semana.
Fernando Henrique desejava impedir que essa discussão tomasse corpo agora, mas decidiu convocar uma reunião hoje no Alvorada para pedir que os estudos sejam apressados. O presidente não quer que o governo seja atropelado com uma votação no Congresso, instituindo um valor de salário mínimo considerado absurdo, que o obrigaria a vetá-lo, com grande desgaste político.
Embora esteja decidido a só anunciar o novo valor do mínimo em abril, o presidente quer, com os estudos, dar subsídios aos deputados e senadores para que possam discutir o tema com dados reais e os respectivos impactos.
Na reunião de hoje com o presidente, estavam presentes os ministros do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares
Previdência Social, Waldeck Ornélas, e Secretaria-Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, e os secretários de Política Econômica, Edward Amadeo, e executivos da Fazenda, Amaury Bier, e Trabalho, Paulo Jobim, além do líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
"É prematura qualquer especulação sobre valor de reajuste", declarou Malan, acrescentando que nunca se furtou a dialogar sobre as várias implicações desse aumento nas áreas fiscal, previdenciária, na expectativa de comportamento da inflação, nos efeitos sobre o mundo informal e o desemprego. Ele nega que o governo esteja se fixando sobre qualquer número e avisa que está disposto a discutir o tema com quem quer que seja.
O ministro da Previdência, por sua vez, insiste que é prematuro falar sobre números agora, avisa que não está tendo posição partidária, mas sim de governo e que, portanto, não está em conflito com Fernando Henrique. Ornélas assegurou ainda que a intenção do governo é dar o maior aumento de salário mínimo possível.


