O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem, em Brasília, a liberação de R$ 15 milhões para o programa de prevenção e combate a incêndios florestais. A verba foi liberada durante reunião realizada no Palácio do Planalto para avaliar os efeitos do fogo que atinge várias regiões do País, principalmente em Mato Grosso, onde os incêndios provocados, principalmente pelas queimadas em pastos, já estavam ontem de manhã a quatro quilômetros do Parque Indígena do Xingu. Participaram da reunião o ministro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Gustavo Krause, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Martins e o secretário de Políticas Regionais, Ovídio de Angelis.
Martins assegurou que não houve atraso no combate aos focos de incêndio ou descaso nas ações por parte do governo. Martins garantiu que o fogo não tinha chegado à reserva indígena e que os índios do Xingu não estão sob risco de serem atingidos pelo incêndio. Fernando Henrique mostrou-se preocupado com a evolução do fogo na região e determinou um acompanhamento diário sobre a situação. Ele quer evitar que esse assunto volte a ser explorado politicamente pela oposição e pelas organizações não-governamentais (ONGs) como aconteceu com o incêndio em Roraima, em março.
O porta-voz do Palácio do Planalto, embaixador Sérgio Amaral, explicou que os R$ 15 milhões liberados são uma antecipação de um empréstimo que o Banco Mundial vai conceder ao Brasil e que ainda está em negociação. Antes, o governo já havia repassado outros R$ 6, milhões para o programa do meio ambiente. Segundo Amaral, o que está sendo queimado hoje é principalmente pastagem, que poderia ser chamada também de ‘‘floresta de transição’’.
O presidente do Ibama informou que hoje existem 24 municípios em alerta verde nos Estados de Mato Grosso e Pará, e apenas uma área em alerta vermelho, na região do Xingu. Apesar de confirmar que o fogo está a quatro quilômetros da reserva indígena e insistir que não há perigo dos índios serem atingidos, o governo fez questão de responder às críticas que já começaram, mostrando que está agindo com rapidez e atenção. ‘‘Já tivemos 204 municípios em alerta verde’’, comentou Eduardo Martins, acrescentando que hoje eles são apenas 24. Martins afirmou ainda que dois focos em alerta amarelo, em Guarantã, no norte de Mato Grosso, já foram debelados e que isso prova a ação eficaz do governo.
Eduardo Martins apresentou mapas mostrando a área desmatada da região e evolução do fogo. Ele garante que a redução do número de focos de incêndio ‘‘é bastante significativa’’. Martins disse que os ventos na região, que estavam seguindo em direção ao Parque do Xingu, levaram o fogo a se expandir, preocupando o governo. ‘‘O vento mudou de curso e agora está no sentido norte, desviando o alastramento do fogo da reserva indígena’’, disse.
Eduardo Martins disse que o governo está fazendo um grande esforço de prevenção. ‘‘Não está havendo falta de meios para cumprir as obrigações e tudo que está sendo planejado está sendo executado’’, avaliou Martins, não admitindo que tenha havido erros de avaliação em relação ao emprego de mais meios, de forma mais ágil e mesmo da entrada em operação do área federal, para evitar a propagação do incêndio.

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