Brasília, 15 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso lançou hoje o programa Sociedade da Informação para aperfeiçoar a Internet no Brasil. Um dos pontos do programa - incluído no Avança Brasil, com previsão de investimento de R$ 3 4 bilhões em quatro anos - é a participação do Brasil na chamada Internet 2, uma rede de alta velocidade e com qualidade de transmissão superior à da Internet utilizada hoje comercialmente. Até o final do próximo ano o governo pretende garantir a universidades federais e institutos tecnológicos o acesso experimental à Internet 2, o que seria regular a partir de 2001.
Segundo o coordenador do programa no Ministério da Ciência e Tecnologia, Tadao Takahashi, a intenção é preparar o Brasil para o uso da tecnologia avançada. "Vamos começar com o uso para fins acadêmicos, o que permitirá um período de depuração da tecnologia até seu uso pelo cidadão comum", disse Takahashi.
A parte física do programa prevê a instalação da rede nacional de pesquisa, numa ação conjunta dos Ministérios de Ciência e Tecnologia e da Educação, interligando universidades e federais e institutos tecnológicos do País. A rede também irá interligar redes metropolitanas formadas em 14 cidades brasileiras e hospitais universitários. A Internet 2 no Brasil já está operando experimentalmente em 34 megabites e a meta é, em quatro anos, atingir a faixa de 1,2 gigabites (faixa de operação da Internet 2 nos Estados Unidos).
Este tipo de ligação permitirá, por exemplo, que médicos discutam a distância qual o diagnóstico para um paciente que apresenta determinados sintomas. Também será possível a realização de videoconferências, ao mesmo tempo, em vários pontos do País. O programa também tem como meta a capacitação de recursos humanos e a mobilização da sociedade para a elaboração de um documento oficial sobre a Sociedade da Informação que os brasileiros desejam ter.
Ao lançar o programa, Fernando Henrique destacou que a idéia da organização da sociedade moderna se dá por meio de redes que são intermediadas por mecanismos como a Internet. "Possivelmente, no próximo milênio, o que nós vamos assistir é toda essa sociedade de informação ser domesticada pela sociedade
pelos grupos sociais, para que ela seja democrática", disse. "Daí a importância crucial do desenvolvimento de todo esse instrumental", completou, referindo-se ao programa Sociedade da Informação.
A inserção nesse mundo formado por redes, alertou o presidente, dependerá da capacidade científica e tecnológica do Brasil. Por isso é preciso se concentrar em áreas estratégicas, como a de telecomunicações, de informática e de biociências. O presidente falou de sua confiança na capacidade dos cientistas brasileiros. "Temos uma comunidade científica viva, que produz, que é competente, e isso é a condição necessária para o nosso futuro."

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