FHC lança programa Comunidade Ativa
Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso lançou ontem, em Brasília, o Programa Comunidade Ativa para o desenvolvimento dos municípios mais pobres. O programa tem como finalidade a descentralização das ações do governo e o estímulo às vocações econômicas locais. De início serão atendidas 133 localidades (cinco de cada Estado), escolhidas por dois critérios técnicos: cidades com menos de 50 mil habitantes e que já tenham recursos orçamentários de programas federais na área de agricultura familiar, reforma agrária e capacitação profissional. A primeira-dama e coordenadora do Comunidade Solidária, substituído pelo Comunidade Ativa, Ruth Cardoso, participou da solenidade.
Em cada uma das localidades, será criado um Fórum Local de Desenvolvimento, formado pelo prefeito, vereadores, lideranças empresariais, sindicais, comerciais, representantes da igreja e de movimentos sociais.
FHC disse, durante a solenidade, que é uma vergonha manter programas assistencialistas como o de distribuição de cestas básicas. Nós temos que distribuir mais empregos, criar mais iniciativas, dar mais dignidade à condição humana para que as pessoas possam dispensar o assistencialismo.
No ano passado, o governo federal gastou R$ 390 milhões para distribuir 30 milhões de cestas básicas. Segundo ele, mudar essa situação não se consegue do dia para a noite e nem se dará com a interrupção dos programas assistenciais. Segundo o presidente, só uma articulação entre o governo e a sociedade poderá garantir a mudança do enfoque. Ou o Brasil entra com uma sociedade mais dinâmica no mundo que vai se formando no próximo século ou nós vamos estar condenados à irrelevância e à pobreza, à miséria e à exclusão.
Fernando Henrique destacou que antes a concepção dos intelectuais era de que o sistema capitalista era sempre da exploração do homem pelo homem, e que hoje a globalização impõe outros parâmetros. Agora é pior, tem aqueles que não servem nem para serem explorados, a situação é de desespero.
O secretário-executivo do Comunidade Solidária, Milton Seligman, informou que os municípios do programa - que não estão entre os 150 eleitos para esta nova etapa - continuarão recebendo as cestas básicas. Mas os alimentos serão comprados de agricultores do próprio município.Programa tem a finalidade de descentralizar ações do governo e incentivar vocações econômicas locais para diminuir o assistencialismo
Gervário Baptista/DivulgaçãoNecessidade de mudançaMilton Seligman, Ruth Cardoso e FHC durante a solenidade: críticas ao assistencialismo





