BRASÍLIA - O corpo do senador Darcy Ribeiro foi velado ontem até o meio da tarde no Salão Negro do Congresso Nacional. Compareceram ao velório o presidente Fernando Henrique Cardoso, os presidentes da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o governador do DF, Cristovam Buarque (PT), e os senadores Eduardo Suplicy (SP), Marina Silva (AC) e Benedita da Silva (RJ). Políticos, funcionários do Congresso, turistas, índios e representantes dos sem-terra lotaram o salão para o velório.
O presidente voltou a lamentar a perda do amigo. ‘‘Eu perdi um amigo de mais de 40 anos e o Brasil perdeu um dos seus melhores intelectuais’’, afirmou. O caixão de Darcy, ladeado por cadetes da Polícia Militar do Distrito Federal, estava coberto com uma bandeira do Brasil e uma bandeira do MST. O cortejo pela rampa do Congresso foi tranquilo. Assim que o carro do Corpo de Bombeiros deixou o local, os que participaram da homenagem se despediram de Darcy com palmas. O presidente deixou o Congresso às 15h10. O corpo do ex-senador foi transportado até o Rio de Janeiro em um avião da FAB.
No Rio, o corpo do senador Darcy Ribeiro será velado hoje no salão nobre da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ele ocupava a cadeira 11 desde 1993. Às 16 horas, o caixão deixará a ABL e seguirá para o cemitério São João Batista, em Botafogo (zona sul), onde será enterrado no mausoléu da Academia.
De acordo com as recomendações deixadas com a amiga Tatiana Memória, Darcy pedia que o velório fosse realizado ao som de ‘‘Suíte Para Violoncelos’’, de Bach, e que seu corpo fosse encomendado por frei Leonardo Boff. Segundo Tatiana, os pedidos do senador serão atendidos. Ex-secretária do governo Leonel Brizola e braço direito de Darcy Ribeiro em seus projetos educacionais, Tatiana disse que o senador deixou tudo preparado para sua morte, inclusive as recomendações para o velório e o enterro.

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