Rio, 28 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso, anfitrião do encontro de cúpula dos países da América Latina, Caribe e União Européia, tem demonstrado jogo de cintura para contornar alguns pequenos constrangimentos durante o evento. Hoje, na entrevista coletiva para relatar os entendimentos entre o Mercosul e a União Européia, diante da insistência dos jornalistas em dirigir perguntas só a ele, Fernando Henrique tomou a iniciativa de passar a palavra ao primeiro-ministro alemão, Gerhard Schroeder, que estava sentado ao seu lado. "Eu já respondi a perguntas e o chanceler Schroeder escutou", disse o presidente. Agora eu gostaria de ouvir do chanceler Schroeder comentários sobre essas questões e quem sabe ele possa dizer se o que eu expressei sobre os resultados da reunião é correto ou se ele teve uma percepção diferente."
O primeiro-ministro alemão limitou-se a responder: "O senhor expressou corretamente tudo o que foi dito na reunião e estou plenamente de acordo; não é preciso duas pessoas falarem a mesma coisa." Fernando Henrique, então, pediu que a frase de Schroeder fosse traduzida e quando ouviu a tradução, acrescentou: "Esse é o maior exemplo de integração", disse.
No final da entrevista, como os outros dois interlocutores presentes à mesa - o presidente do Paraguai, Luiz Macchi, por estar temporariamente ocupando a presidência do Mercosul e o presidente do Comissão Européia, o francês Jacques Santer - não foram questionados, Fernando Henrique decidiu dar a palavra a cada um deles. "Eles expressam seus pontos de vista e podemos ouvir também um pouco de espanhol e francês", brincou o presidente.
Depois da coletiva, Fernando Henrique e os outros chefes de Estado e de Governo presentes à cúpula foram almoçar na churrascaria Porcão, distante alguns quilômetros do Museu de Arte Moderna, onde se realiza a cúpula. As 49 autoridades foram até o local de ônibus. Os fotógrafos puderam registrar uma imagem do encontro, tendo ao fundo o Pão de Açucar. À noite, os chefes de Estado e de governo jantam nos jardins do Museu de Arte Moderna, em jantar oferecido pelo presidente brasileiro.
Também no jantar oferecido pelo prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), na noite de sábado no Palácio da Cidade, novos constrangimentos. Todos os 49 chefes de Estado e de Governo foram convidados, mas apenas 19 compareceram e os mais badalados
como o da França, Jacques Chirac, e o do Chile, Eduardo Frei, acabaram preferindo jantar em outro local. "Como o jantar é oferecido pelo prefeito, os chefes de Estado e de Governo não se sentem obrigados a comparecer", argumentou um interlocutor do presidente. Como muitos presidentes e primeiros-ministros não foram, os organizadores do evento acabaram se sentando nas muitas mesas vazias.

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