Brasília, 19 (AE) - O jantar do presidente Fernando Henrique Cardoso realizado ontem com um grupo de senadores contou com a participação de 46 parlamentares, informou o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB). O senador disse que o presidente havia sido convidado por ele para abrir, neste ano, a série de jantares que a CAE realiza todas as terças-feiras na residência de Suassuna. São reuniões informais destinadas a discutir os rumos da economia, principalmente com autoridades do governo, e que reúnem grande parte dos 52 membros da Comissão, incluindo os suplentes.
O presidente teria aceitado o convite, mas pediu que o evento se realizasse no Palácio da Alvorada e decidiu convidar também o presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o vice, Geraldo Melo (PSDB-RN), e os líderes de todos os partidos na Casa. Suassuna disse que pediu então que fossem convidados também o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Ao contrário do que ocorre nos jantares normais, ficou acertado que os senadores conversariam livremente com as autoridades do governo entre as 20h e 21h, esclarecendo suas dúvidas, mas que não haveria debate após as exposições.
Fernando Henrique que se sentou à mesa com os presidentes do Senado, da CAE e com os líderes partidários, abriu o encontro, segundo Suassuna, agradecendo o apoio recebido do Congresso em 1999. Teria dito que o governo estava avançando nos planos traçados, apesar das "variáveis exógenas", geradas por crises internacionais sobre as quais o Brasil não tem controle. O presidente teria dito ainda que, apesar do enfoque do governo nas discussões econômicas, o grande avanço que está sendo perseguido, com bons resultados, é na área social. Suassuna disse ainda que o presidente prometeu também dar novo fôlego à área de pesquisa e tecnologia, com a descentralização de decisões e a aplicação de R$ 900 milhões no setor.
Malan - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, que sucedeu o presidente Fernando Henrique Cardoso como orador no jantar com senadores, iniciou sua exposição comparando o quadro econômico atual com o anterior, segundo o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Ney Suassuna (PMDB-PB). Ele teria dito que, diante das crises externas, muitos criticaram o governo por ter agido lentamente em algumas situações. Mas Malan teria argumentado, segundo o senador, que quando isto ocorreu foi por prudência, para que pudesse ser feita uma análise mais precisa dos fatos. O ministro disse, segundo o relato, que havia alertado os críticos e analistas, no ano passado, que a cotação do dólar não iria subir descontroladamente, e que após um período as cotações voltariam ao ponto de equilíbrio. O ministro estaria considerando o atual cenário como mostra do acerto das decisões governamentais.
Malan teria dito ainda, segundo Suassuna, que há espaço até para a cotação do dólar cair um pouco mais. O ministro traçou ainda um cenário otimista sobre as contas externas e citou a atração de investimentos de risco, que superou os US$ 29 bilhões no ano passado. O fato de o Brasil estar na quarta posição mundial na atração de investimentos, atrás de Estados Unidos, Inglaterra e China, seria uma mostra, segundo o argumento do ministro, de que o mundo estaria acreditando no Brasil.

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