São Luís, 18 (AE) - Com a saída de João Batista Campelo, o diretor-geral que menos tempo permaneceu à frente da Polícia Federal, já está à disposição do presidente Fernando Henrique Cardoso uma lista de cinco prováveis candidatos ao cargo. Alguns deles, apontados como possíveis substitutos do ex-diretor Vicente Chelotti e preteridos na disputa encerrada há uma semana
ressurgem como opção.
Escaldado pelo embróglio Campelo, que deixa o direção-geral sob acusação de ter admitido a prática de tortura quando chefiou a PF no Maranhão, nos anos 70, o Palácio do Planalto deve buscar um nome com trânsito em todas as áreas. E, principalmente, alguém que tenha um passado sem manchas.
O nome de Wantuir Jacine, que dirigiu a PF interinamente até Campelo ser nomeado e é o nome preferido do ministro da Justiça, Renan Calheiros, não figura mais entre os candidatos ao cargo. Ele cedeu seu lugar ao superintendente da Polícia Federal em Brasília, Paulo Magalhães Pinto.
Os nomes que vêm sendo mencionados estão ligados a grupos ou partidos políticos e alguns têm respaldo entre vários setores da PF. Há candidatos, porém, que apesar de não terem compromissos políticos nem impedimentos por causa de seu passado, não desfrutam do aval de parte da instituição.
Depois da crise causada pela nomeação de Campelo, existe hoje na PF o temor de que os militares voltem à direção, como em 1993. Naquela época, um militar - o coronel Wilson Romão - foi indicado pelo então presidente Itamar Franco para acabar com uma crise, em que Campelo, coincidentemente, estava envolvido.
O delegado, então secretário de Polícia Federal em Brasília
brigou com o diretor-geral da PF na época, Amaury Galdino. Entre muitos motivos, estava a disputa por uma sala no edifício-sede. Itamar demitiu os dois, passando o cargo para seu amigo Romão. A passagem de Campelo pela secretaria, no governo Itamar, não durou muito. Começou a trabalhar em 19 de maio de 1993, mas 36 dias depois (em 6 de julho) estava fora.
Candidato eterno à direção da PF, Campelo manteve este mês a tradição de ter passagem meteórica pelos cargos de chefia para os quais foi indicados. Nomeado para a direção-geral dia 10, ele ocupou a ampla sala do sétimo andar do edifício-sede, mais conhecido como "Máscara Negra", por três dias.
Nesse período, reuniu-se com os atuais chefes de setor, pediu a Jacine um diagnóstico da instituição e só depois pretendia indicar seus assessores. Ele nem mesmo chegou a fazer planos para acabar com o narcotráfico, sua principal proposta de trabalho. Desde que foi criada, em 1964, ainda como um departamento federal de segurança pública, ninguém passou tão pouco tempo dirigindo a Polícia Federal.

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