FHC inicia viagem aos Estados Unidos
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de maio de 1999
Por Paulo Sotero 
Washington, 08 (AE) - A calorosa acolhida que o presidente Fernando Henrique Cardoso teve na primeira visita a Washington, em abril de 1995, ajudou a reverter a forte queda de popularidade que ele sofreu nos primeiros meses no Palácio do Planalto, quando o colapso do peso mexicano submeteu a administração nascente ao primeiro e inesperado teste. Talvez seja muito esperar que a viagem de menos de 72 horas que o presidente iniciou hoje à tarde aos EUA tenha efeito semelhante. Afinal, o atual desgaste político de Fernando Henrique é o resultado de uma crise que quase levou à implosão econômica do País e cujos efeitos continuam a ser sentidos por milhões de brasileiros. O breve giro presidencial pela América é, além disso, uma viagem de trabalho, sem a pompa das visitas de Estado.
Mas, se a viagem não produzir dividendos políticos para Fernando Henrique em casa, não será por falta de aplausos e de elogios das platéias de empresários, banqueiros e investidores para as quais ele falará nada menos de quatro vezes, em Washington e Nova York, entre segunda (10) e terça-feira (11). "O presidente Fernando Henrique Cardoso representa um modelo de liderança para o mundo em desenvolvimento", disse ao Estado, na última quinta-feira, o presidente do Eximbank dos EUA, James Harmon, que motivou a visita ao convidar o líder brasileiro para fazer o principal discurso da conferência anual da instituição. "O presidente Cardoso é um líder responsável e reconhecido como tal pelo mercado, pois guiou a economia brasileira num período muito difícil, insistindo em reformas fiscais e numa política monetária forte, e segurou assim o efeito contágio que levou muitos de nós a temer, em dezembro e janeiro, que a crise financeira global levaria a uma calamidade."
Amplificar essa mensagem, reafirmando aos credores e investidores o compromisso de seu governo com a execução das reformas necessárias para resolver o problema fiscal crônico do País, é a razão da viagem de Fernando Henrique aos EUA. A não ser por sua participação, com Ruth Cardoso, amanhã (09) à noite, num jantar da Fundação das Nações Unidas em homenagem ao prêmio Nobel Amartya Sen, um estudioso da desigualdade, e o encontro com o presidente Bill Clinton amanhã à tarde, na Casa Branca, o líder brasileiro cumprirá uma agenda montada em torno desse objetivo. Ele começa o dia, segunda-feira, tomando café com representantes do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. Faz em seguida sua primeira palestra a executivos e funcionários do governo dos EUA e de organismos financeiros internacionais na Câmara de Comércio dos EUA.
Depois visita o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O compromisso seguinte será o almoço e o discurso na reunião do Eximbank, no hotel Washington Hilton.
À tarde, Fernando Henrique é recebido por Clinton. Da Casa Branca, segue para Nova York, onde será homenageado por banqueiros e altos executivos do mundo financeiro num jantar no hotel Hyatt que terá como anfitrião o presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, William McDonough. Na terça, o presidente toma café da manhã com outros membros da comunidade empresarial e financeira no hotel Intercontinental, antes de retornar a Brasília.


