FHC indica Tereza Grossi para diretoria do BC13/Mar, 20:41 Por Vânia Cristino e Rosa Costa Brasília, 13 (AE) - Depois de quase quatro meses sem um comando efetivo à frente da diretoria de Fiscalização do Banco Central, o governo finalmente tomou a iniciativa de encaminhar ao Congresso Nacional a indicação de Tereza Cristina Grossi para o cargo. A mensagem do presidente da República chegou hoje, no final da tarde, ao Senado Federal. Segundo a Secretaria Geral da Mesa do Senado, a mensagem presidencial deve ser lida amanhã em plenário e depois encaminhada à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para a sabatina. A indicação de Tereza Grossi é uma vitória pessoal do presidente do BC, Armínio Fraga. Funcionária de carreira do BC, Grossi foi escolhida por Fraga logo após a queda de Luiz Carlos Alvarez, em novembro do ano passado. Alvarez caiu porque classificou de "lixo" o relatório da CPI do Sistema Financeiro. O nome de Grossi, no entanto, foi bombardeado pelos senadores, que não esqueceram da sua participação no episódio envolvendo o socorro financeiro dado pelo BC aos bancos Marka e FonteCindam. Na avaliação dos senadores pesa ainda sobre Grossi a citação num processo por improbidade administrativa movido pelo Ministério Público Federal. Os argumentos dos senadores não demoveram o governo da intenção de manter a indicação de Teresa Grossi para o cargo. Armínio Fraga fez de conta que esqueceu. Deixou chegar o fim-de-ano e a convocação extraordinária. Embora, na prática, Tereza Grossi, continuasse a mandar na fiscalização do BC, quem está respondendo pelo cargo, cumulativamente com a diretoria de Finanças Públicas e Regimes Especiais, é o diretor Carlos Eduardo de Freitas. Nestes três meses que antecederam a indicação formal de Tereza Grossi para o cargo de diretora de Fiscalização do BC, o governo tratou de fazer o dever de casa. Com o apoio do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do próprio presidente da República, Fraga foi vencendo às resistências ao nome da funcionária. O próprio Fernando Henrique Cardoso entrou pessoalmente na negociação no início de fevereiro, conversando com presidentes e líderes dos partidos ligados ao Palácio do Planalto. Na longa negociação para vencer a resistência dos senadores, um dos ouvidos foi o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Segundo um interlocutor do presidente do BC, Armínio Fraga, Simon teria dito não ter nada, pessoalmente, contra Tereza, mas que para evitar o desgaste e até mesmo uma surpresa desagradável o presidente do BC deveria apresentar ao Senado outra alternativa. De acordo com esse interlocutor, Fraga teria dito que Tereza era o melhor nome que ele tinha e que não indicá-la seria uma injustiça. "A situação na base já permite aprovar o nome de Tereza Grossi com tranquilidade", afirmou uma alta fonte. O governo sabe que a aprovação não será unânime, mas conta com os partidos aliados, que não fecharão questão contra Grossi. Nem mesmo a criação do bloco do PSDB com o PTB na Câmara, que irritou o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, amigo pessoal de Armínio Fraga, esfriou o ânimo do governo com relação à manutenção do nome de Tereza Grossi. O governo conta também como certa com a rejeição do nome de Grossi por parte dos partidos de oposição. "Nós vamos chiar e votar contra", adiantou o senador José Eduardo Dutra (PT-SE).

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