FHC indica Monteiro Filho para diretoria-geral da PF
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Gerson Camarotti, Edson Luiz e Isabel Braga (Colaborou Hugo Marques) 
Brasília, 21 (AE) - O delegado Agílio Monteiro Filho foi indicado nesta segunda-feira (21) pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para assumir o comando da Polícia Federal e vai substituir o delegado João Batista Campelo, que pediu demissão na sexta-feira passada.
A decisão foi anunciada às 21h15, após reunião entre o presidente e o ministro da Justiça, Renan Calheiros, e diversas consultas feitas pelo Palácio do Planalto. Monteiro Filho foi superintendente da PF em Minas Gerais durante cinco anos e, com um perfil exclusivamente técnico, tornou-se um consenso entre os vários setores do governo interessados na nomeação do novo comandante da PF.
A nomeação do novo diretor-geral foi decidida conjuntamente entre o presidente Fernando Henrique e Renan Calheiros. Derrotado na primeira disputa em torno do comando da PF, o ministro ficou satisfeito com a escolha, pois acredita que tenha sido respeitado o critério técnico. A publicação do nome do novo diretor da PF poderá ser publicada na edição de depois de amanhã do Diário Oficial da União e a data da posse ainda não foi marcada.
A indicação de Agílio Monteiro Filho acabou pegando de surpresa a comunidade da Polícia Federal e outros setores do governo, já que o seu nome não figurava na lista dos candidatos apontados como favoritos ao cargo, como vinha noticiando a imprensa. Além de não ter nenhuma ligação com grupos políticos e com sindicatos ligados à corporação, o delegado tem outro atributo considerado positivo, que é o fato de nunca ter servido em Brasília. "Isso é bom, porque ele não tem inimigos", avaliou um delegado da PF.
Também conta a seu favor o fato de ter saído de uma superintendência que tem pouca importância dentro do quadro nacional da Polícia Federal, o que evitou qualquer tipo de indisposição do delegado com os vários grupos em que se divide a instituição. Aparentemente a nomeação dele agradou a vários delegados da PF.
Até o final da tarde de hoje, o presidente Fernando Henrique Cardoso só tinha uma certeza: a nomeação do novo diretor-geral da Polícia Federal não poderia passar desta segunda-feira. "Ele está angustiado com essa indefinição e por isso quer uma decisão imediata", explicou um assessor do Planalto, lembrando que o calvário na escolha do comandante da PF já estava entrando pelo quarto mês.
Desta vez, entretanto, o governo agiu de maneira mais cautelosa. Ainda aborrecido com o desgastante desfecho da nomeação da João Batista Campelo, que reassumiu a Secretaria de Segurança Pública em Roraima, Fernando Henrique deixou bem claro para os seus auxiliares mais próximos que não poderia errar novamente na indicação de um nome. "Não dá para ficar nomeando um suspeito de participar de tortura ou que tenha uma ficha manchada por atos de corrupção", observou este assessor.
Na verdade, o nome do titular da PF vinha sendo estudado desde a última sexta-feira, quando o ex-diretor João Batista Campelo pediu demissão 72 horas após ser empossado. Até então, o Palácio do Planalto lidava com um elenco de cinco candidatos: Zulmar Pimentel, indicado pelo chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso; Marcelo Itagiba, favorito do ministro José Serra e de setores do PSDB; Arthur Lobo Filho e Paulo Gustavo Magalhães Pinto, ambos soluções internas que não encontravam resistência. Também fora cotado Nascimento Alves Paulino, delegado que contava com o respaldo de diversos setores internos da PF.
Hoje, porém, as opções se concentraram em apenas dois nomes: Agílio Monteiro Filho e o superintendente da PF em São Paulo, Yoshi Oshiro, ainda não ventilados pelo Planalto. Contra Oshiro, pesou o fato de ter se indisposto com o grupo do senador Romeu Tuma (PFL-SP), que comandou a PF durante oito anos. A avaliação era que essa rusga comprometeria sua autoridade e trânsito na corporação.
O nome de Agílio ganhou força depois que o delegado Zulmar Pimentel foi descartado definitivamente pelo Planalto. O presidente não queria criar mais um constrangimento com o PMDB, indicando um afilhado do chefe da Casa Militar. Afinal, há duas semanas o ministro da Justiça chegou a pedir demissão por causa da queda de braço travada com o general Cardoso. A Polícia Federal e a área militar do governo disputam o controle da política de combate ao narcotráfico.
Além disso, Fernando Henrique culpa o chefe da Casa Militar pela repercussão da desastrosa indicação de Campelo, que não teria sido checada suficientemente pela área de inteligência.
O delegado, que já fora cotado em outras oportunidades para o comendo da PF, deixou o cargo sob acusações de prática de tortura. O episódio, que gerou mais uma crise para o governo, enfraqueceu a influência do chefe da Casa Militar.


