Corumbá, MS, 09 (AE) - Ao inaugurar o gasoduto Brasil-Bolívia em Corumbá (MS), o presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou a oportunidade para transmitir mais uma mensagem de tranquilidade com relação à crise econômica no País. Ao destacar a intensificação das relações entre o Brasil e Bolívia e a progressiva consolidação da nova modalidade energética (o gás natural), o presidente ressaltou a importância do evento no momento de dificuldades que o Brasil está atravessando.
"Sempre fui partidário de que o governante, em sua comunicação com o povo, não diminua a dimensão dos obstáculos e dos desafios a serem enfrentados. Parte da condição de liderança consiste, precisamente, em apontar os problemas, alertar para sua gravidade e propor caminhos de solução. É o que estamos fazendo no Brasil de hoje", afirmou o presidente. Ele ressaltou
no entanto, que não se pode exagerar na dimensão dos problemas. "Devemos ser realistas, sóbrios. Quanto mais sério o momento, maior é a necessidade de evitar o simplismo e o catastrofismo", disse. Para o presidente, é imprescindível que "eventuais nuvens de crise não encubram a visão da realidade do Brasil".
Símbolo - O presidente destacou ainda em seu discurso que o gasoduto será um símbolo poderoso do processo de integração sul americana. Para o Brasil, ressaltou, o gasoduto representa uma vitória no esforço de diversificação energética, que, segundo o presidente, ainda é muito dependente do petróleo e de hidrelétricas. "Consideramos prioritária a ampliação da participação do gás como insumo energético no parque industrial brasileiro. Nossa expectativa é de que o nível de utilização atinja a marca de 12%, em 2012, diante dos atuais 2%", ressaltou. O presidente disse ainda que o gasoduto terá efeito positivo também sobre a economia dos dois países. "O intercâmbio comercial terá incremento de cerca de US$ 100 milhões no primeiro ano, o que incentivará ainda mais a integração de mercados e o aproveitamento de novas oportunidades", disse.

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