Porto Primavera (SP), 22 (AE) - Dezenove anos depois de ter suas obras civis iniciadas, a Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta será inaugurada às 11h30 de amanhã (23), em Porto Primavera (SP), no Pontal do Paranapanema, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Dimensionada para produzir l.800.000 KW, com 18 unidades geradoras, a hidrelétrica entrará em operação com três turbinas, suficientes para acrescentar 300 mil quilowatts de energia ao sistema integrado Sul-Sudeste-Centro Oeste. Ainda este ano entram em operação mais duas turbinas e as 13 restantes a partir de maio do ano 2000.
Além do governador paulista, Mário Covas, estarão presentes os governadores José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, de Mato Grosso do Sul, Dante de Oliveira, de Mato Grosso, e Jaime Lerner, do Paraná. Os governadores Itamar Franco, de Minas Gerais, e Marcone Perillo, de Goiás, foram convidados mas até a tarde de hoje não haviam confirmado participação.
Quando estiver com todas suas unidades geradoras funcionando, a usina - construída pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) - terá uma contribuição energética que corresponderá a 8% do mercado do Estado de São Paulo e deverá reduzir em até 9% o risco de déficit de energia na região.
Com as obras civis iniciadas em junho de 1980, a Usina Sérgio Motta deveria estar pronta em 1986, com uma estimativa de custo de R$ 4,3 bilhões. As sucessivas alterações no cronograma de obras, além do atraso de 13 anos para sua conclusão, provocaram uma elevação nos custos contábeis que hoje podem chegar a R$ 12 bilhões. Sem considerar os juros, estima-se que a hidrelétrica tenha custado cerca de R$ 6 bilhões, segundo diretores da Cesp.
Para entrar em funcionamento com capacidade para fazer funcionar cinco turbinas, a hidrelétrica exigiu a formação de um lago artificial que, nesta primeira fase, inundou uma área de 1.460 quilômetros quadrados e acumulou 10 bilhões de metros cúbicos de água.
Na próxima fase, vai ocupar 2.250 quilômetros quadrados e seu lago terá comprimento de 250 quilômetros e 20 bilhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 5,5 vezes o volume existente na Baía da Guanabara. Isto provocará a inundação de 157,3 mil hectares de terras em Mato Grosso do Sul e 27,1 mil hectares em São Paulo.
A usina é o último grande aproveitamente hidrelétrico em território paulista do Rio Paraná e é considerada de vital importância para a viabilização da Hidrovia Tietê-Paraná. Para isso, possui uma eclusa com 210 metros de comprimento e 17 metros de largura, suficiente para permitir a passagem de comboios com carga de 6 mil toneladas, que também será inaugurada amanhã.

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