Brasília, 07 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso ignorou os conselhos do Itamaraty de manter-se longe do líder espiriritual do Tibete, dalai-lama Tenzin Gyatso, para não prejudicar as relações diplomáticas com a China, e foi a seu encontro na residência do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Na conversa de 20 minutos, o presidente admitiu que o processo para reduzir as diferenças sociais no País é lento, apesar do empenho do governo em alcançar essa meta. Falou também sobre reforma agrária e de melhorias obtidas na área social.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) tentou induzir Fernando Henrique a falar da posição brasileira com relação à libertação do Tibete, invadido pela China há 49 anos, mas ele desconversou. O presidente alegou que deveria se manter dentro dos limites de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Mas que a sua presença alí tinha um significado especial. A resposta foi entendida por todos. Após a declaração,
a única referência feita àquele país foi sobre a sua mensagem espiritual. O encontro foi mantido em segredo até a última hora. Foram proibidas fotos até mesmo do profissional que acompanha o líder espiritual.
O mérito pelo decisão do presidente de se encontrar com o dalai-lama é atribuído a duas mulheres: a primeira-dama Ruth Cardoso e à atriz Ruth Escobar, amiga da família . Elas conseguiram convencer o presidente que não haveria explicações para a sua recusa em conversar com o Prêmio Nobel da Paz. Foram então acertados os detalhes diplomáticos para evitar constrangimentos com a China, como o de evitar fotos e a transferência do encontro de ACM com o líder espiritual para a residência, em vez do Senado, como estava previsto. Descontração - A conversa do presidente do Senado com o líder espiritual, antes da chegada de Fernando Henrique, foi descontraída. O líder contou que gostou muito de Curitiba, onde esteve no dia anterior, principalmetne de um projeto de preservação florestal desenvolvido pelo governador Jaime Lerner. ACM concordou que o Paraná é um bom Estado, mas que não se compara à Bahia. O senador o convidou a visitar seu Estado, antecipando que lá ele será recebido "por um povo extremamente espiritualizado". Dalai-lama brincou, ao dizer que saberá se é assim mesmo no dia em que lá estiver.
O líder espirititual também se encontrou com o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), antes de participar de uma palestra no Salão Negro do Congresso. Temer destacou a "espiritualidade e a espirituosidade" demonstrada pelo líder tibetano na conversa de 15 minutos.

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